Exportação alavanca produção e empregos
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de agosto de 2004
Irany Tereza<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - As indústrias voltadas à exportação estão puxando não apenas o crescimento da produção como também a criação de novos empregos, explica a gerente da Pesquisa de Produção e Emprego Industrial do IBGE, Isabela Nunes Pereira. ''Mas não há como avaliar agora o fôlego disso. Só poderemos ter uma idéia clara mesmo no ano que vem, quando passar a base de comparação de 2003'', diz ela, referindo-se à base fraca de comparação do ano passado, que faz os resultados deste ano parecem maiores do que realmente são.
Para Isabela, o ano de 2004 pode mesmo estar marcando o início de uma nova fase. ''Ao que parece, tomando por base também outras pesquisas, que indicam uma tendência de maior investimento por parte do empresariado, estamos entrando num novo ciclo de crescimento de produção mais sustentável''.
O coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco, lembra que a indústria este ano vem crescendo num nível de 6% na comparação com o ano passado e que o emprego industrial vem acompanhando a evolução. ''A grande pergunta agora é se há como manter o ritmo de crescimento atual. A indústria vem de vários anos de baixo crescimento e, desde que as condições macroeconômicas sejam favoráveis, as empresas também estarão dispostas a investir. Mas é esperar demais achar que a indústria possa chegar a ser o maior empregador'', diz.
De fato, a tendência mundial é dar ao setor de serviços o papel de locomotiva na absorção de mão-de-obra. A diferença básica, porém, está na qualidade das vagas oferecidas por este setor, como lembra o professor David Kupfer. ''Não é uma boa aposta imaginar que a indústria vai recuperar totalmente os postos de trabalho que já teve no Brasil. Hoje, o emprego industrial corresponde a apenas 55% do que era em 1985, época de proteção muito elevada da indústria.
O que podemos esperar é que a indústria comande um processo de geração de empregos de melhor qualidade também no setor de serviços, como ocorre em países mais desenvolvidos. Atualmente, a terceirização ainda está muito restrita a ocupações de baixa qualificação'', afirma.


