ExpoLondrina começa com expectativa de políticas para setor
A abertura oficial da 59ª edição da ExpoLondrina foi marcada pela esperança de políticos e líderes do agronegócio na definição de políticas públicas para o setor. Parte do anseio se deve à visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, marcada para a próxima segunda-feira (8). O vice-governador Darci Piana (foto) e o secretário de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara, participaram da cerimônia e comentaram sobre a expectativa no País
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de abril de 2019
A abertura oficial da 59ª edição da ExpoLondrina foi marcada pela esperança de políticos e líderes do agronegócio na definição de políticas públicas para o setor. Parte do anseio se deve à visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, marcada para a próxima segunda-feira (8). O vice-governador Darci Piana (foto) e o secretário de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara, participaram da cerimônia e comentaram sobre a expectativa no País
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

A 59ª edição da ExpoLondrina (Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina) começou nesta sexta-feira (5) com a expectativa de políticos e líderes do setor por novas definições de políticas que impulsionem o agronegócio. Na primeira feira depois das eleições, autoridades que discursaram na abertura oficial, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, ainda esperam pelo anúncio de medidas como taxas de juros e subsídios, em um momento de cofres públicos vazios.
Parte do anseio por novidades se deve à visita da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM), à feira, na segunda-feira (8), quando participa do Fórum do Agronegócio. Na quarta-feira (10) será a vez do governador Ratinho Junior (PSD) transferir a administração estadual para o parque, para ouvir demandas regionais e setoriais. O vice-governador Darci Piana participou da solenidade oficial anunciando a renovação do Convênio 100 (Confaz), benefício que reduz ou isenta a base de cálculo do ICMS nas operações de vendas de insumos e produtos agrícolas.

Representante da bancada do agronegócio e da região do Norte Pioneiro, o deputado federal Pedro Lupion (DEM) afirmou em discurso que as demandas do setor que precisam ser resolvidas neste semestre “não cabem em uma única folha”. Ele comemorou a vitória do Mapa na queda de braço com a ala mais liberal do governo federal na decisão que permitiu o acúmulo de subsídios em energia no campo, além da renovação fechada no fim da tarde de sexta (5), pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), do convênio que reduz a base de cálculo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no transporte interestadual de insumos agropecuários.
Sem essa prorrogação, Lupion disse que os custos com insumos aumentariam em 15%. Ele citou ainda a necessidade de ampliar prazos para a regularização ambiental de produtores, o Plano Safra e as políticas de juros para investimentos no campo. “Todos defendemos o liberalismo econômico, mas não podemos esquecer que o agro só é competitivo porque tem subsídio. O agro só consegue competir no mercado com os grandes produtores porque temos a mão forte do governo nos apoiando”, afirmou o deputado. “Algo que economistas que sentam na cadeira de ministro da Economia não conseguem entender”, completou, sem citar diretamente o titular da pasta, Paulo Guedes.

O secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, disse que o Paraná sempre contribuiu com a construção de soluções para o setor, mas foi incisivo sobre a necessidade de subsídios. “Mesmo com a crise fiscal do estado brasileiro, é inadmissível taxar exportações agrícolas. É burrice econômica. É inadmissível taxar insumos, parte intermediária do processo de produção e que é apenas uma antecipação de carga [tributária]. Há de ter outra forma de financiar os cofres públicos.”
Ortigara ainda considerou que os juros para investimentos precisam ficar abaixo das taxas de mercado. “Nossos concorrentes colocam até US$ 200 bilhões na subvenção do agro e temos espaço até para baixar os juros, se quisermos, porque dá para cortar em outras coisas.”
Para os líderes do setor, não há tempo hábil para que os representantes do governo batam o martelo sobre novas políticas. A expectativa é de ao menos acenos que indiquem caminhos para destravar investimentos.
Ortigara disse que falta apenas a Assembleia aprovar a abertura de um crédito especial para que o governo do Estado assuma quase US$ 40 milhões por ano de subvenção ao consumo de energia na irrigação noturna.
AQUECIMENTO
Mesmo com a indefinição sobre as políticas, representantes da região consideram que o momento é de otimismo para esta edição da ExpoLondrina. “Temos governos novos, tanto no estadual quanto no federal, o que traz um novo alento a todos para que pensem em investir de novo em seus negócios que estavam parados. Isso já ajuda muito”, disse o presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Antonio Sampaio.
O prefeito Marcelo Belinati (PP) destacou a geração de postos de trabalhos temporários, que aquece toda a economia regional. “A ExpoLondrina gera 9 mil empregos diretos e indiretos. Não há vaga em hotel, as lanchonetes estão cheias, os shoppings, cheios, o taxista ganha e o pipoqueiro ganha. Isso movimenta a economia e faz a cidade crescer.”
A exposição prossegue até 14 de abril e a expectativa é que atraia um público próximo aos 550 mil visitantes de 2018, com uma movimentação financeira até 10% maior do que o R$ 684 milhões do ano passado.


