ExpoLondrina chega ao fim com previsão de recorde de resultados
Organização do evento estima público acima de 700 mil visitantes e expositores calculam crescimento de até 20% no volume de negócios
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de abril de 2026
Organização do evento estima público acima de 700 mil visitantes e expositores calculam crescimento de até 20% no volume de negócios

Antes mesmo de os portões do Parque Ney Braga Eventos se fecharem pela última vez durante a 64ª ExpoLondrina, a diretoria da SRP (Sociedade Rural do Paraná) já previa um crescimento de 20% no número de visitantes comparado ao ano passado. Os números oficiais devem ser divulgados no início de maio e se a previsão se confirmar, a edição de 2026, encerrada neste domingo (19), terá registrado um recorde de público, acima de 700 mil pessoas.
O presidente da SRP, Marcelo Janene El-Kadre, atribui o resultado expressivo a uma série de fatores. Além da decisão de manter inalterados em relação ao ano passado os preços dos ingressos, do estacionamento, da água e dos refrigerantes vendidos no interior do parque, foi ofertado transporte coletivo gratuito na segunda, terça e quarta-feira para o público do evento, e a programação de shows e o retorno da competição de rodeio em touros comandada pela PBR Brasil contribuíram para movimentar ainda mais o parque. “Fizemos a Expo Promo de novo este ano, com três dias com preço subsidiado (segunda, terça e quarta-feira). Na quarta-feira (15), parecia domingo de tanta gente que tinha aqui dentro”, disse El-Kadre.
Na programação técnica também houve avanços nesta edição, apontou o presidente da SRP. Entre palestras, cursos e seminários, foram mais de cem neste ano. A ExpoLondrina também reuniu uma diversidade maior de animais e aumentou a quantidade de julgamentos. “Há um respeito da diretoria pelo público. A gente atende a todo público. Produtor rural, o público que vem para passear, comercial, entretenimento, alimentação. Então, é uma diversidade de ações e a pessoa vem para passar o dia todo com a família.”
A ExpoLondrina 2025 registrou 590 mil visitantes e movimentou R$ 1,7 bilhão em negócios nos dez dias. Com o aumento de 20% previsto pelos organizadores para este ano, o número de pessoas deve chegar a 708 mil. “Estamos batendo todos os recordes da feira do ano passado, que já foi recorde”, comemorou El-Kadre. “Isso é fruto da união da nossa diretoria”, avaliou.

Os organizadores realizaram ainda mudanças no espaço físico. A Expo Varejo, cuja marca principal é a grande diversidade de mercadorias, desde roupas até móveis e utensílios domésticos, foi transferida do Pavilhão Internacional para um pavilhão próximo à arena de shows, bem ao lado da Expo Sabores, um dos locais de maior movimento durante os dez dias de evento.
“Ficou muito melhor a Expo Varejo aqui. A gente queria ter conseguido um lugar melhor, mais lá na frente, mas mesmo ficando aqui no fundo, o movimento foi muito bom. Surpreendeu e superou as nossas expectativas. Estou muito satisfeita”, disse a proprietária da R&R Modas, Rita de Cássia Maroti Peroti Rondi, expositora da cidade de São Paulo.
As empresas que montaram seus estandes na Expo Sabores também avaliaram positivamente o volume de vendas realizado durante a feira. Sócio-proprietário da fábrica de embutidos artesanais Machulek, de Prudentópolis, no Centro-Sul paranaense, José Marcos Mahulak calculava entre 8% e 10% o aumento nas vendas em relação ao ano anterior. Parte desse avanço ele acredita que é resultado das mudanças no layout do pavilhão, mas também contribuiu a apresentação do carro-chefe da marca, a cracóvia produzida pela comunidade ucraniana de Prudentópolis, que no ano passado obteve o certificado de Indicação Geográfica.
A cracóvia é um salame feito exclusivamente com a carne do pernil suíno. “Somente em Prudentópolis as pessoas encontram a cracóvia verdadeira, feita com a receita original”, comentou o representante comercial da marca, João Fernando Dal Santos. “Faz quatro anos que participamos da ExpoLondrina e este foi o melhor em vendas.”
“Estamos no mercado há 30 anos. A feira dá visibilidade ao nosso produto e serve como divulgação dos nossos pontos de venda. No meio da semana eu tive que trazer mais produtos para abastecer e durar até hoje (domingo) porque já estava acabando”, disse Mahulak.
De Jaguapitã (Região Metropolitana de Londrina), a produção de queijos artesanais da Estância Baobá completou dez anos de participação no evento. A proprietária, Lívia Trevisan, estava apreensiva em relação à disposição do público para consumir, mas neste domingo, horas antes do encerramento da feira, calculava entre 15% e 20% o aumento nas vendas na comparação com 2025. “Temos os nossos clientes anuais, já fidelizados, que voltam todos os anos para buscar os queijos que sabem que vão encontrar aqui e também fazemos a apresentação para novos clientes. Superou as expectativas este ano. Foi muito bom.”
Outro ponto bastante visitado por quem procura fazer negócio na feira são os estandes das montadoras de veículos. Neste ano, a grande aposta da Citroën/Peugeot foi em um modelo utilitário, vendido por um preço especial para os visitantes das ExpoLondrina. O preço do veículo baixou de R$ 229 mil para R$ 180 mil e dependendo do valor da entrada, a taxa de juros variava de 0,99% a 1,35% ao mês.
“Hoje, a gente já ultrapassou a nossa meta mínima e estamos indo para a segunda meta máxima. Vendemos mais de 64 furgões na feira”, afirmou o vendedor pro de Frotas da concessionária, Sandro José Machado. Segundo ele, as vendas apenas na ExpoLondrina correspondem, para a empresa, ao faturamento de três meses. “O banco da montadora fez uma tabela específica para a Expo.”
Entre as empresas do setor de máquinas e implementos agrícolas que divulgaram seus balanços parciais neste domingo, os resultados superaram os R$ 20 milhões, com perspectiva de crescimento expressivo no pós-feira. O número surpreendeu em meio às dificuldades conjunturais enfrentadas pelos produtores rurais, como a alta da taxa Selic e a queda no preço da soja.

Wilson Roberto de Sena, da New Agro, destacou que a empresa cumpriu parcialmente os objetivos, com vendas de, aproximadamente, R$ 1,5 milhão em plataformas de milho e tratores. “Nós vamos dar seguimento nas promoções por mais 30 dias, mantendo os preços da feira. Pretendemos fechar alguns negócios ainda no pós-feira.”
Levantamento feito entre seis empresas do setor de troncos e balanças indicou movimento de mais de R$ 6,5 milhões em vendas diretas realizadas durante o evento e projeção de crescimento adicional de até 40% nos próximos meses, resultado esperado em razão dos contatos feitos na ExpoLondrina.
A Açores, uma das expositoras mais tradicionais da feira, com 70 anos de mercado e presente em todas as edições da ExpoLondrina, registrou um desempenho significativo. De acordo com o diretor comercial da Divisão de Troncos e Balanças da empresa, Gabriel Franco Hauly, o faturamento chegou a cerca de R$ 4 milhões nos dez dias. As novidades foram a seringa automatizada por comandos hidráulicos, que estava sendo vendida a R$ 220 mil, e o tronco Combat 300 Prime, que reduz em 85% o ruído em relação aos outros fabricantes.
Chamam a atenção também os negócios fechados pelas instituições financeiras e cooperativas, que até sábado (18) haviam ultrapassado os R$ 220 milhões em crédito rural, conforme balanços parciais divulgados por duas empresas.
Gerente regional do Agro do Sicoob Ouro Verde, Jaime Canevari contabilizava cerca de R$ 200 milhões em negócios fechados durante a feira agropecuária. Desse total, entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões foram direcionados ao custeio e investimento agrícola, além de outros cerca de R$ 15 milhões em CPR (Cédulas de Produto Rural). “Estamos firmes, apesar das dificuldades que o agro atravessa.”(Com SRP)


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


