ExpoLondrina chega ao fim com números conservadores
Depois de dez dias, expositores começam a fazer o balanço dos resultados de vendas e negócios no maior evento do setor no Estado
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segunda-feira, 15 de abril de 2019
Depois de dez dias, expositores começam a fazer o balanço dos resultados de vendas e negócios no maior evento do setor no Estado
Pedro Moraes - Grupo Folha 
Com as vias do Parque de Exposições Governador Ney Braga cheias de visitantes, a ExpoLondrina 2019 fechou seu último dia de atividades no domingo (14). Enquanto a população se divertia com as diversas atrações, as empresas que expuseram começaram a fazer os cálculos sobre resultados alcançados. As opiniões sobre os ganhos variaram nos diferentes setores, mas a principal sensação sobre o comportamento de quem foi buscar o evento para fazer negócios foi de este ano ter sido marcado pela precaução.

Com os governos estadual e federal recém-empossados, em meio à instabilidade política e à duradora crise econômica, o cenário ainda é de desconfiança. “De forma geral, a exposição foi boa. Iremos nos reunir enquanto os detalhes estão quentes, mas temos informações de que os leilões de gado deram bons resultados, as concessionárias de carro que nível de negócios era bom e os pequenos comerciantes e restaurantes tiveram melhor movimento no segundo fim de semana, já sem a chuva. Somente os vendedores de máquinas agrícolas que esperavam mais. Mesmo assim, puderam travar contato com os clientes”, avaliou Antônio de Oliveira Sampaio, presidente da Sociedade Rural do Paraná.
A mudança da sede do governo do Estado para a cidade durante três dias e a visita da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, deram ânimo novo para os organizadores. A presença dos diferentes entes governamentais promoveu diversas conversas para negociar e destravar problemas da região. “O fórum e os cursos provocaram enorme interesse e isso é fundamental porque cria um ambiente ideal para os negócios. Com certeza, é um aspecto que deverá ser levado em consideração no próximo ano”, adiantou Sampaio.
O movimento de público também foi comemorado, apesar de o primeiro fim de semana ter sido mais cinzento e chuvoso, o que desanimou frequentadores e expositores. No sábado (13), a ExpoLondrina recebeu 60 mil pessoas e a média ao longo da semana também superou as expectativas e chegou a 25 mil visitantes. “Mesmo quem não é ligado ao agronegócio se interessa. As vantagens oferecidas pelas concessionárias neste período fazem com que muitas pessoas deixem para comprar nesta época”, apontou o presidente.
O hábito da compra de carros no período da exposição, no entanto, não foi uma garantia para todas as marcas. No estande da Metronorte Chevrolet, a expectativa de vendas era de chegar ao volume no ano passado, mas à base de muito trabalho. “O pessoal precisa se esforçar. O consumidor está preocupado, reticente e pensa muito antes de fazer a compra”, avaliou Waldir Rezende, diretor comercial da concessionária.
Durante o período do evento, os produtores rurais e as empresas tiveram descontos diferenciados, oferecidos pelas próprias montadoras. As lojas também deram sua parte de desconto, que chegou em média a 19%. Também havia linhas de financiamento bem amigáveis, como taxa de juros zero para quem pudesse dar 60% de entrada e pagar o saldo em 36 meses. Grande parte das vendas era de picapes, para atender as necessidades das produções. “Acredito que vendemos entre 140 e 150 unidades, mas é menos do que foi vendido no ano passado, quando chegamos a 200 carros. Apesar de encerrado o evento, as condições são mantidas até o fim do mês, com isso podemos completar novos negócios”, explicou André Frasson, gerente de vendas da concessionária Fiat do grupo Marajó.
As revendedoras de maquinário agrícola também trabalhavam duro para fechar novos negócios. Nas mesas, os produtores buscavam a melhor forma para equipar a lavoura. Os modelos mais novos já oferecem, inclusive, o uso da inteligência artificial, com programas no celular ou em tablets capazes de informar detalhes sobre o funcionamento das máquinas e até as mais sensíveis impressões sobre a produção.
Diretor administrativo da Horizon, representante das máquinas da norte-americana John Deere, Martin Stremlow comemorou os resultados durante a ExpoLondrina. Sem divulgar números, ele afirmou que as vendas foram acima do esperado. “Estava preparado para ter um ano pior que o ano passado, tinha uma expectativa bastante conservadora, mas acredito que vendemos o mesmo volume que no ano passado, o que considero muito bom”, adiantou Stremlow.

O volume de negócios nas instituições financeiras também não foi unanimidade. Para a superintendente regional de Londrina do Banco do Brasil, Mônica Reis Valério, a expectativa é de fechar o ano com o mesmo valor de negócios do ano passado: R$ 40 milhões. As principais linhas são para a aquisição de implementos. “O produtor está apreensivo com a falta de chuvas para o milho e a safra da soja também não foi boa para todos. Houve queda de 30%. Foi um ano com muitos sinistros de seguro agrícola, então, eles pensam bem antes de tomar a decisão”, disse Valério.
Já o Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil) conseguiu 140 interessados para se cooperar e o total de negócios chegou a R$ 20 milhões ao longo dos dez dias de evento. “Temos um prognóstico bom de crescimento superior a 2%. Acredito que, em 2020, o País estará vivendo um clima de normalidade”, afirmou, otimista, Rafael de Giovani Netto, presidente do conselho de administração do Sicoob.
A Sicredi atingiu o objetivo de promover o encontro de diferentes partes relacionadas ao ambiente de negócios dos clientes. “Tivemos muitas propostas de negócios ao longo dos dias de evento e conseguimos reforçar a filosofia do cooperativismo”, concluiu Carla Sonoda, gerente regional de desenvolvimento da Sicredi.


