Expogenética aborda alternativas para pecuária mais produtiva
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A discussão sobre a adoção do sistema de melhoramento genético na pecuária brasileira foi um dos destaques da 43ª edição da Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá), que termina no domingo, dia 17. Pelo segundo ano, a feira promove a Expogenética, evento direcionado para pecuaristas, pesquisadores, professores, estudantes universitários e empresas do segmento de inseminação artificial, e com o objetivo de trocar informações sobre novas tecnologias e metodologias relacionadas ao setor que já estão disponíveis no mercado.
Paulo Farias, organizador do evento, afirma que com a valorização das propriedades rurais, o pecuarista precisa melhorar o desempenho do seu rebanho para produzir mais carne ou leite sem a necessidade de ampliação de área. Isso só é possível, segundo ele, se o produtor fizer um bom trabalho de melhoramento genético. Ao todo, foram realizados durante os três dias de simpósio, palestras relacionadas à importância do melhoramento genético, ao desafio e estratégia de nutrição em gado de corte e à apresentação do programa de melhoramento da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), já que a Expogenética foi direcionada para o gado zebuíno.
A Expogenética tem uma área, dentro da Expoingá, reservada para estandes de empresas ligadas ao setor apresentarem seus produtos e serviços. Estima-se que devem passar pelo local mais de 100 mil pessoas. Farias observa que 50% do público nesta edição é composto por pecuaristas, o que é muito bom, segundo o organizador. Para ele, esse número mostra o alto interesse do produtor em melhorar o desempenho do rebanho. Para demonstrar os ganhos com o sistema de melhoramento genético, a Expoingá possibilita que o pecuarista veja dentro do parque de exposições, 40 animais de alta qualidade de carcaça que estão sendo expostos na feira. Esse animais fazem parte de um programa de melhoramento genético.
Resultados
Farias observa que o melhoramento genético proporciona ao pecuarista um maior ganho em quantidade e qualidade de carcaça, maior precocidade na hora da desmama, entre outros benefícios. Erik Luis Marques da Costa, supervisor do Programa de Melhoramento Genético de Raças Zebuínas (PMGZ), da ABCZ para o estado de São Paulo e região Sul do País, afirma que hoje é fundamental que uma propriedade que atue na área da pecuária contenha um programa de melhoramento genético.
Costa, que realizou a última palestra da Expogenética 2015 na última quarta-feira, frisa que o pecuarista deve fazer um planejamento de seu sistema de produção antes de começar a fazer a seleção dos animais. "O produtor precisa saber que tipo de característica ele necessita em um animal para fazer a seleção genética", aponta Costa.
O supervisor frisa que, para a pecuária de corte, a seleção de animais sempre se dá pelo alto potencial de ganho de peso e/ou qualidade de carcaça. Para se obter um animal com essas características, por exemplo, é necessário selecionar um reprodutor e uma boa receptora com a fisiologia que o pecuarista necessita. "Não há dificuldades em se fazer um sistema de melhoramento genético, já que o acesso a programas de seleção é bem fácil", aponta o especialista.
A maior dificuldade antes de iniciar o processo é a obtenção de uma equipe qualificada para coletar de forma fidedigna as informações de cada animal. O objetivo dessa etapa é fazer a seleção daqueles bovinos que possuem as qualidades que o pecuarista necessita. Os animais, destaca Costa, devem ser constantemente separados pelo potencial de qualidade de cada um.
Ao todo, o programa da ABCZ possui 1,8 mil produtores cadastrados no PMGZ que, juntos, somam 11 milhões de animais que estão sob processo de avaliação. Há dois métodos para gerar descendentes com a fisiologia que o produtor necessita, que pode ser por inseminação artificial ou cruzamento industrial.


