Expodireto de olho na América Latina
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terça-feira, 17 de março de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Não-Me-Toque (RS) - Encontrar demandas alternativas às triviais empresas radicadas no Brasil. Essa é uma característica que o mercado internacional oferece, mas poucas feiras de agronegócios nacionais possuem um espaço exclusivo destinado a rodadas com players estrangeiros.
Foi esse detalhe que credenciou a 10 Expodireto Cotrijal a chancela de evento internacional, colocando-a como a segunda feira de agronegócios do País a reunir compradores de outras regiões do mundo amparada por uma estrutura coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil). ''No ano passado, foram mais de 200 rodadas de negociações e tivemos que transformar, até por exigência do mercado, em um evento internacional. Temos compradores de 27 países atendendo empresas nacionais'', explica Nei Mânica, presidente da Expodireto.
Até então apenas a Agrishow, de Ribeirão Preto em São Paulo, possuía estrutura semelhante. Durante a feira, poucos negócios são efetivados, mas a finalidade das rodadas é abrir as portas para negócios futuros. Hoje, estas rodadas promovem pedidos de mais de US$ 1 milhão por ano.
Mas os preços do mercado latino-americano e as facilitadas condições de negociação são os principais atrativos para os representantes de multinacionais estrangeiras. ''Atualmente os preços na Europa estão muito altos, e como eu sei que aqui a qualidade e as alternativas em termos de valores são boas resolvi pesquisar pessoalmente'', explica o húngaro Safrani Mario, gerente de compras da Axial Co., empresa de implementos agrícolas.
Ele já trabalha com fornecedores da Argentina e do Brasil, contactados também numa rodada, e acha fundamental encontrar novos representantes porque sua companhia possui uma alta demanda de peças de reposição para máquinas agrícolas. ''O volume de negócios com o país é bem alto e importamos até 12 contêineres por ano'', afirma. Em valores, os contratos que costuma fechar são, em média, de US$ 500 mil por ano.
A maioria dos países presentes à feira gaúcha são da América do Sul e Central, além de representantes da Europa e África do Sul. ''Já fizemos a prospecção de mercado por lá e constatamos que são compradores potências. Eles usam os nossos implementos, porque se adaptam as terras deles e isso é importante, mas nosso foco é no Mercosul'', acredita Cláudio Bier, presidente da Federação das Indústrias e Empresas do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Para participar das rodadas de negócios, um dos pré-requisitos é ser de médio e pequeno porte. ''Nós temos 27 empresas, que não têm condições de se deslocar até esses países para prospectar o mercado ou trazer os exportadores envolvidas no projeto'', complementa Bier.
Ele garante as operações de vendas para o exterior concretizadas devido ao contato na feira somaram US$ 2 milhões, nas rodadas de 2008. Por isso, espera que neste ano chegue até 3 milhões de dólares de negócios, ''mesmo com crise está atrapalhando um pouco''.
O presidente da Expodireto, Nei Mânica, destaca que até 2007 o foco da Expodireto era o mercado interno. ''Desde o ano passado, começamos a aumentar a exposição e negociação de produtos nacionais para o exterior. Tendo em vista este sucesso, também vamos organizar comitivas de empresários que visitarão outras feiras no mundo todo'', arremata.
O jornalista viajou a convite da organização da Expodireto Cotrijal


