Diversificação das atividades rurais, sistemas integrados de produção, crédito fundiário, rentabilidade em pequenas propriedades, segurança rural, produção orgânica, piscicultura, cultivo de café de qualidade, controle do greening e cultivo de seringueiras foram alguns dos temas debatidos durante audiência pública promovida ontem na Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial da Região de Cornélio Procópio (Expocop). Com o tema ''Desenvolvimento Regional - Oportunidades de Negócios com a Diversificação'', a audiência reuniu autoridades do setor e representantes de órgãos governamentais para levantar problemas e soluções para o desenvolvimento da agricultura local.
De acordo com o presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia do Paraná, deputado estadual Hermas Brandão Junior, o objetivo das audiências é conhecer as demandas dos agricultores e da sociedade civil organizada. Ele lembrou que já foram promovidas audiências em Santo Antônio da Platina, Londrina e Maringá. ''Vamos fazer um dossiê até o final do ano com todas as reivindicações dessas audiências e entregar ao secretário estadual de Agricultura, Norberto Ortigara, e ao governador Beto Richa'', revelou Brandão Junior.
Segundo ele, algumas das principais dificuldades encontradas na região de Cornélio Procópio são a manutenção das estradas rurais para escoamento da safra e também a implantação do microcrédito para atender pequenos agricultores, tendo em vista que muitos estão inadimplentes e, por isso, não têm acesso a financiamentos.
O gerente regional do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Paulo Cesar Hidalgo, apontou a necessidade de mudar parte do sistema de produção como um dos principais desafios para a região. ''A diversificação é nossa principal bandeira'', ressaltou. Segundo ele, a união de várias atividades econômicas na propriedade possibilita ao agricultor duplicar ou triplicar a renda por hectare. ''A grande questão é não ter monocultivo'', salientou.
Hidalgo argumentou que o cultivo de grãos não gera rentabilidade suficiente em pequenas propriedades rurais, que são predominantes na região de Cornélio Procópio, com média de 25 hectares cada. ''Temos que buscar um sistema que seja muito mais rentável que grãos, seja com frutas, hortaliças ou com integração de outras composições que gerem emprego, renda e mantenham a família no campo'', avaliou. O agrônomo afirmou que nos municípios que possuem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo é preciso também trabalhar a inclusão social, até mesmo em questões como alfabetização, saneamento e moradia.
Crédito fundiário
Durante a audiência, o modelo de crédito fundiário em funcionamento foi duramente criticado por ser incompatível com o valor da terra praticado na região e ter modelo econômico inviável. Hidalgo sugeriu a regionalização do projeto para que ele possa atender as demandas de cada realidade. Segundo ele, os grandes projetos de crédito fundiário para assentamentos que reúnem mais de 200 produtores de extrato social precário funcionam como financiamentos, em que é preciso pagar pela terra, pela infraestrutura e pelo custeio da lavoura
''Para a aptidão dessas famílias, isso se configura como inadimplência e o produtor acaba perdendo a área'', criticou. Segundo ele, os projetos de crédito fundiário voltados para um público carente e sem capacidade de investimento não são viáveis. ''É preciso rever o projeto, entrar com outras políticas públicas e com recurso, porque da forma que está, é inviável nesses casos.''

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