Expoabras pega consumidor com poder aquisitivo baixo
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo Em meio a previsões conservadoras sobre o consumo brasileiro, começa na próxima segunda-feira, no Rio de Janeiro, o evento mais importante do ano para o setor supermercadista, a Expo Abras 2003. Se o momento é de apertar o cinto, a expectativa sobre os negócios da feira é igualmente tímida. Espera-se um aumento de 10% no volume movimentado durante o evento, que em 2002 foi de R$ 9,7 bilhões.
As empresas do setor estão contando com uma recuperação das vendas no último quadrimestre do ano, para tentar pelo menos zerar as perdas acumuladas até agora. De janeiro a julho, os supermercados faturaram em média 1,5% a menos do que no mesmo período do ano passado. Os resultados da Expo Abras tradicionalmente servem como sinalização sobre o comportamento do mercado no final do ano.
A exposição vai incluir a edição latina do Salão Internacional de Alimentos (Sial), um dos maiores eventos mundiais da indústria de alimentos e de bebidas. O Sial é realizado a cada dois anos na França e desde 1997 é promovido em outros países nos anos intermediários.
Com a taxa de câmbio estável, o salão de alimentos pode ajudar os produtos importados a recuperarem sua participação nas vendas, principalmente do Natal, responsável por quase um terço do consumo brasileiro de produtos estrangeiros.
No ano passado, de acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os importados representaram 1,4% das vendas totais do auto-serviço, cerca de 30% a menos do que no ano anterior, quando foi de 1,8%. Em 2003, de acordo com o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, os volumes podem retomar ao nível de 2001.
De qualquer forma, adverte Oliveira, o histórico dos importados nos supermercados brasileiros nunca foi brilhante. Em meados da década de 90, quando o câmbio era favorável, a participação ficava na casa dos 5% e caiu para os níveis atuais desde 1999, com a desvalorização do real.
O Sial ocupará uma área de 6 mil metros quadrados no Riocentro, onde ocorre a convenção. Cerca de 45 países vão participar do salão de alimentos, num total de 250 empresas expositoras. São esperados, só para este evento, entre 5 e 6 mil visitantes, empresários da indústria e do varejo internacionais. Entre as comitivas confirmadas, está o grupo de uma das mais importantes redes de supermercado do Canadá, a Loblaw.
Exportações Paralelamente, funcionará também o Espaço Exportador, organizado pela Agência de Promoção de Exportações (Apex), onde 50 empresas brasileiras interessadas em fornecer para supermercados estrangeiros estarão presentes. No ano passado, quando o espaço foi montado pela primeira vez, a Apex trouxe representantes de redes européias e norte-americanas. Neste ano, em razão da Sial, que já atrai importadores, o governo não está patrocinando as viagens.


