Expo Brinquedos quer faturar R$ 860 mi
Feira Internacional de Brinquedos começa hoje em São Paulo prevendo um movimento recorde. Importados são a sensação
Rosângela de Moura
Agência Folha
ArquivoPersonagensEliana, responsável pelo ‘‘Molocoton’’, sucesso de vendas. As fábricas pegam carona no marketing da TVA 15ª Abrin (Feira Internacional de Brinquedos) começa hoje com 170 expositores entre fabricantes nacionais e importadores. O número é similar ao do ano passado (166), mas revela um significativo aumento na quantidade de estandes de marcas importadas: são 51 neste ano, contra 32 em 97, um aumento de 59,4%.
O evento acontece até o dia 5 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo, patrocinado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos. Estarão expostos os principais lançamentos dos setores de brinquedo, artigos para bebês e festas. Além disso, alguns agentes da área de licenciamento mostrarão novos personagens.
Apesar das tentativas de unir as duas feiras do setor - Abrin e Abreb, a
feira dos importadores -, não houve um consenso. A Abrin optou por mudar a data do evento, que normalmente era realizado em abril, para atrair mais negócios.
‘‘Nessa época, não dá só para olhar as novidades, é preciso começar a fazer os pedidos aos fabricantes’’, diz Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq.
Em 97, o faturamento do setor cresceu 4,5% em relação ao do ano anterior: de R$ 780 milhões para R$ 815 milhões. A estimativa para este ano é crescer 5,1% e atingir faturamento de R$ 860 milhões. Onde encontrar - Abrin: de 1º a 4 de junho, das 14h às 21h, e 5 de junho, das 14h às 19h, no Expo Center Norte, rua José Bernardo Pinto, 33, São Paulo.
A 15ª Abrin vai mostrar uma overdose de brinquedos associados a personagens conhecidos do público, como os apresentadores Gugu Liberato, Angélica, Xuxa, Eliana e, pela primeira vez, Carlos Massa, o Ratinho.
A Baby Brink, que tem 70% de seu faturamento nesse segmento, espera um
crescimento de 35% em relação ao registrado em 97. Entre seus nove lançamentos na feira, estão a terceira versão da boneca Angélica, que lembra a Fada Bela, personagem vivida pela apresentadora em seu programa de TV, e mais três bonecas Chiquititas - da novela exibida no SBT.
A primeira Chiquitita, lançada pela Baby Brink em março, vendeu 50 mil
peças em apenas dois meses. ‘‘Isso não é comum nessa época do ano’’, diz
Audir Giovani, presidente da empresa.
A Estrela também se apóia cada vez mais em personagens para sobreviver. No ano passado, a empresa tinha três personagens nacionais: Gugu, Eliana e
Xuxa. Neste ano, a Estrela já tem acordos com o grupo musical É o Tchan, com os apresentadores Ratinho e Angélica, com a dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano e com o Melocoton, personagem do programa da Eliana.
Além disso, está prestes a fechar contrato com o apresentador Celso
Portiolli, do SBT. A empresa tem, ainda, licenciamento de personagens
estrangeiros, como o dos filmes ‘‘A Espada Mágica - A Lenda de Camelot’’ e ‘‘Small Soldiers’’.
A Maritel, maior fabricante de bichos de pelúcia do Brasil, aproveita o
sucesso das vendas dos bonecos Bananas de Pijama (500 mil unidades em 97) e lança bonecos dos amigos da dupla. A empresa, que tem 30% de sua linha voltada para os produtos com personagens, produziu 1,7 milhão de unidades em 97 e deve fabricar 2 milhões de peças neste ano. A Gulliver, tradicional fabricante de futebol de botão, aproveita a Copa do Mundo para lançar a versão ‘‘França 98’’ e ainda leva para o evento os bonecos das Spice Girls, do ‘‘Godzilla’’, dos ‘‘Perdidos no Espaço’’ e do ‘‘Spawn’’.
Segundo João Nagano, diretor de marketing da empresa, a linha de
licenciamento já representa 50% do faturamento da Gulliver. A Grow já lançou cerca de 60 produtos relacionados aos apresentadores Gugu e Eliana, que representaram uma venda de cerca de 6 milhões de unidades. Carlos Takeo Tomita, agente de licenciamento do Gugu e da Eliana, diz que o sucesso de vendas está na própria divulgação que eles fazem em seus programas.
‘‘Hoje o consumidor quer produtos diferenciados e isso ele encontra em
brinquedos que são agregados a personagens. Além disso, é a fórmula de maior sucesso para combater os produtos chineses, porque trazem um diferencial e não precisam entrar na guerra de preços’’, diz Takeo.

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