Explosão da soja marca o ano de 97
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quinta-feira, 01 de janeiro de 1998
Vânia Casado Curitiba 
Arquivo FolhaA vedeteA soja é destaque da agropecuária do Paraná em 97: para o ano que vem, perspectiva é colher 7,3 milhões de toneladas O ano de 1997 ficará caracterizado como o ano da soja, quando os produtores conseguiram obter o preço mais elevado da história, o que estimulou o plantio de uma nova safra recorde que deverá atingir 7,3 milhões de toneladas no Paraná na safra 97/98. Esse é o principal destaque da agropecuária do Paraná, segundo o diretor do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento Norberto Ortigara. Para 1998, as perspectivas são favoráveis e o ano não preocupa, apesar da ameaça do El Ninho e da intensificação do processo de globalização da economia, acrescentou.
Na área da iniciativa privada, Ortigara destaca a troca de comando de grandes grupos agroindustriais ocorrida em 1997 como o efeito mais evidente da abertura comercial iniciada há 4 anos de forma abrupta. Os grandes conglomerados que processam a soja como o grupo Ceval, Sadia e Central de Cooperativas de Ponta Grossa - Coopersul - foram os primeiros a passar esse setor para as mãos de grupos multinacionais. Outro grande grupo, o frigorífico Chapecó está sendo absorvido pelo conglomerado argentino Macri, que controla empresas na área de alimentos, de telecomunicações e de construção.
Na avaliação de Ortigara essa troca está ocorrendo em função do interesse do capital internacional em firmar posição no mercado e tomar conta do comércio mundial de alimentos. Por outro lado, revela a fragilidade das nossas empressas, assinalou. Segundo o diretor do Deral, o que pode parecer um socorro ao produtor no curto prazo, como no caso do frigorífico Chapecó e outros grupos agroindustriais, a médio prazo poderá evidenciar a alteração das relações. Isso porque está ocorrendo uma concentração de capital, que certamente vai ditar as regras no médio prazo. E o produtor terá de se adaptar à essa situação, prevê.
Esse quadro também é característico na área de laticínios, onde os grandes grupos nacionais estão sendo absorvidos por empresas multinacionais. Ortigara citou como exemplo no Paraná o caso da Batavo que está sendo vendida para um grupo multinacional. Esse setor foi penalizado com a abertura das importações, agravado com a triangulação de leite via Mercosul.
No quadro geral da agropecuária, 1997 não foi tão ruim. Como pontos favoráveis Ortigara apontou a solução para o endividamento agrícola, inclusive das cooperativas que fecham o ano com promessa de dinheiro novo para o início do ano. A mecanização avança, principalmente em setores não tradicionais como a cana-de-açúcar, o que revela a manutenção do desemprego no meio rural. O faturamento será maior que 96, no mínimo 5% acima da inflação, passando de R$ 7,72 bilhões em 1996 para quase R$ 9 bilhões em 1997.
Esse resultado está sendo alavancado pelo bom desempenho da soja, feijão preto, suinos, que tiveram preços bons o ano inteiro. O trigo e o milho, mantiveram-se com preço razoável nos últimos meses do ano, revelando que esses produtos tem bom espaço para crescer em 98. E a pecuária de corte que teve uma reação também no final do ano, o que deve estimular os pecuaristas a novos investimentos.
Ortigara ressalta que o primeiro trimestre de 98 será dificil para o consumo em função da indefinição das taxas de juros. Mas a desaceleração deve ficar restrita a área de investimentos e não do consumo de alimentos. Ele prevê desempenho satisfatório em produtos tradicionais, devendo ser mantidos bons preços para a soja e crescimento da avicultura, apesar da reação no preço do milho. A suinocultura também deverá registrar crescimento e algodão e café devem recuperar espaços em função de esforços do governo estadual em promover o apoio a esses setores, afirma.
Segundo o diretor do Deral, a ameaça continua com as grandes importações de produtos agrícolas, já que o governo federal não demonstra a intenção de amenizar o impacto da abertura de mercado. A partir de 1998, a importação será feita por grandes grupos multinacionais que estão se instalando no país que vão controlar os custos. Se o preço do milho ficar muito aquecido, certamente vão promover uma importação em grande escala e assim vai ocorrer em todos os setores onde esses grupos estarão atuando. As grandes importações que eram feitas pelo governo passarão para a iniciativa privada, resumiu.


