Ajudar a natureza a reagir. Este tem sido o objetivo de um grupo de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Agrobiologia da Embrapa, sediado em Seropédica (RJ). Há pelo menos 15 anos a equipe coordenada pelo cientista Avílio Franco desenvolve um dos mais bem sucedidos programas de recuperação de áreas degradadas e de mineração, utilizando uma técnica já conhecida, mas que produz verdadeiros milagres: o plantio de leguminosas inoculadas com fungos micorrízicos e bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico, microorganismos que tornam possível a sobrevivência da planta em condições adversas.
Durante palestra realizada ontem de manhã no 28º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, promovido pela Embrapa, Iapar e Sociedade Brasileira de Conservação do Solo, que acontece em Londrina até a próxima sexta-feira, o pesquisador Eduardo Campello exibiu imagens de áreas de solo totalmente desprovido da camada fértil e até contaminado por metais pesados, que em poucos anos teve parte da vegetação original recuperada. O trabalho desenvolvido pela Embrapa Agrobiologia é um alento, em meio a tantos crimes cometidos contra o meio ambiente.
Segundo Campello, existem hoje no mundo 2 bilhões de hectares (ha) de solo degradado. Só na América do Sul são cerca de 200 milhões de ha. Entre estas áreas estão aquelas em condições extremas, resultado da ação de empresas mineradoras. ‘‘Nós damos o impulso inicial, e a natureza se encarrega de trazer de volta as espécies naturais’’, explica o pesquisador.
O grupo utiliza determinadas espécies de leguminosas arbóreas, capazes de entrar em simbiose com os microorganismos inoculados. O resultado, de acordo com Campello, é quase imediato. Em dois anos é retomado o processo natural, a chamada sucessão ecológica, e a biodiversidade da floresta vai sendo recuperada.
A tecnologia já foi testada em mais de 15 áreas, nas mais diversas regiões do País. Atualmente a equipe de pesquisadores inicia um projeto no Peru, em uma das nascentes do Rio Madeira, onde existe uma área degradada pelo garimpo de aproximadamente 8 mil ha. A situação é tão grave que, se não houver uma intervenção por parte do homem, o problema irá se refletir no futuro na bacia amazônica.
‘‘A idéia é mostrar que o Brasil tem tecnologia para recuperar uma área como essa, através de um projeto piloto desenvolvido em 30 ha. Posteriormente, o governo peruano deverá buscar recursos para financiar o restante do trabalho’’, explica Eduardo Campello.
Cursos práticosHoje, os participantes do Congresso de Ciência do Solo terão a oportunidade de sair dos ambientes fechados e conhecer de perto o trabalho da comunidade científica local. Foram programados cursos práticos e visitas às instituições organizadoras do evento: Embrapa Soja, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM). Também serão visitados o Parque Estadual Mata dos Godoy; a Estação Experimental Agrozootécnica da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ); a Cooperativa Agrícola de Rolândia (Corol); e a Cooperativa Agrícola Mourãoense (Coamo).

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