A verticalização da agricultura familiar tem gerado emprego na zona rural, e pessoas que migraram para a cidade, começam o retornar ao campo. A experiência foi relatada ontem pelo engenheiro agrônomo e presidente da Fundação Zoobotânica do Distrito Federal, Rogério Pereira Dias, que apresentou aos participantes do simpósio em Londrina o Programa de Verticalização da Pequena Produção (Prove), desenvolvido desde 1995 pelo governo do Distrito Federal.
Dias afirmou que o Prove reúne hoje 120 pequenos produtores rurais, que geram mais de 700 empregos nas pequenas agroindústrias familiares. ‘‘O público atendido pelo Prove é formado por produtores que estavam na iminência de abandonar o campo em direção à cidade. Estavam à margem da sociedade, e passaram, inclusive, por um trabalho de resgate da cidadania’’, disse.
O agrônomo afirmou que o governo do Distrito Federal participa em todos os seguimentos do programa. ‘‘O programa iniciou com a elaboração da política de ação, viabilização de crédito subsidiado para os produtores, prestação de assistência técnica e realização de cursos profissionalizantes.’
Dias afirmou que os produtores também contam com estrutura de comercialização, com cinco quiosques espalhados por Brasília, além de dois shopping centers e redes de supermercados que já estão ofertando os produtos com a marca Prove. Outro incentivo que os produtores recebem é a venda de insumos para as agroindústrias familiares através do ‘‘Balcão da Agroindústria’’. ‘‘Através do balcão os produtores podem comprar insumos em pequenas quantidades, o que é impossível se fosse comprado direto do fabricante’’, explicou.
O produtores ligados ao Prove têm uma linha diversificada de produtos, com derivados de carne, ovos, doces e conservas, produtos de padaria e hortaliças pré-processadas. ‘‘São mais de 40 itens diferentes’’, disse Dias. O agrônomo observou ainda, que além dos produtores ligados ao Prove, o DF conta ainda com 269 produtores de artesanato rural, que se utilizam de algumas estruturas do programa.
Mas o programa agora enfrenta o desafio de sobreviver à troca do governo. É que o governador Cristóvão Buarque (PT) não conseguiu se reeleger. Dias afirma que para garantir a continuidade do Prove, foi criada a lei 1.825, que permite aos órgãos vinculados a manutenção dos serviços prestados aos produtores. O produtores também criaram uma associação, a Asprove, para manterem o mercado já conquistado. ‘‘Nesta segunda-feira, também vamos instituir uma ONG para não deixar o programa morrer, não só em Brasília mas para todo o País’’, comentou. Segundo ele, o programa já foi visitado por mais de 1,8 mil prefeituras interessadas em adotar o modelo.Dorico da SilvaEvitando o êxodoRogério Dias: Projeto atendeu produtores que estavam na iminência de deixar o campo’’Guto Rocha

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