Curitiba Os produtores do Paraná classificaram o pacote de medidas que o governo federal lançou ontem para o setor agrícola como positivo mas, insuficiente. O assessor econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Carlos Augusto Albuquerque definiu as medidas como ''pacotinho''. ''O governo federal ainda não percebeu a natureza da crise nem o alcance'', disse.
Como a Folha adiantou com exclusividade na edição de domingo passado, a crise no campo trouxe uma perda de R$ 7,2 bilhões para a agricultura e pecuária do Paraná. Albuquerque criticou o fato de o governo postergar por apenas um ano o pagamento das dívidas contratadas em programas de investimento.
De acordo com ele, os R$ 5,7 bilhões que foram oferecidos via Empréstimo do Governo Federal (EGF) são um ''presente de grego''. No EGF o produtor retira o dinheiro no banco mas, o produto continua sendo do agricultor. O produtor tem três a seis meses para vender. Caso não consiga um preço bom, vende para o governo federal. Ele acredita que os preços dos produtos agrícolas não vão reagir no futuro porque a política cambial do governo não muda.
Alburquerque disse ainda que os agricultores estão acumulando prejuízos há quatro safras e que, as dívidas só podem ser resolvidas se forem diluídas no tempo. ''O governo precisa mudar a política cambial. Não há solução com o dólar nesse patamar'', declarou. De acordo com ele, o pacote de medidas ''não soluciona a crise mas, posterga por um ano uma crise que o governo criou com a política cambial''.
''As medidas atendem parcialmente as expectativas'', disse o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski. Ele considerou como mais importantes as medidas de prorrogação das dívidas de investimento e a alocação de recursos para a comercialização dos produtos no valor de R$ 1,65 bilhão. ''Estas medidas emergenciais vão dar um fôlego'', disse.
No entanto, ele disse que os produtores ainda estão preocupados com a efetiva aplicação das medidas, com a aprovação de R$ 650 milhões do orçamento para a sustentação de preços dos produtos agrícolas e o alongamento do custeio caso a caso e só por uma safra. Segundo ele, esta última medida vai colocar os agricultores nas mãos dos bancos.
As medidas também não atingiram as dívidas antigas de securitização e do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa). Koslovski disse que o setor agrícola ainda aguarda as medidas para os problemas estruturais.
''É lógico que a crise do setor é mais ampla. A situação é difícil e ainda há mais problemas'', afirmou o secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Valter Bianchini, em entrevista à Folha. Ele sugere que os agricultores não fiquem dependentes de uma única cultura como foi o caso do milho e da soja.

mockup