Expectativas para safra de soja nos EUA impulsionam IGP-10
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Idiana Tomazelli Agência Estado 
Rio - As expectativas sobre o volume da colheita da safra de soja nos Estados Unidos, que podem impulsionar os preços no mercado internacional, e os efeitos da valorização do dólar ante o real foram os principais fatores que contribuíram para a aceleração do IGP-10 em setembro, afirmou o superintendente adjunto de inflação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O indicador mostrou alta de 1,05%, ante elevação de 0,15% em agosto.
Nos EUA, a especulação sobre a safra de soja, em função das incertezas climáticas, tem gerado elevações no preço do grão e de seus derivados em escala global, de acordo com Quadros. No Brasil, esse efeito foi percebido principalmente a partir da segunda quinzena de agosto. "Esse talvez seja o maior impacto provocado no resultado do índice", avaliou o economista. O insumo saiu de uma queda de 2,30% no mês passado para alta de 6,84% em setembro.
Câmbio
Os efeitos do câmbio também já atuam nos preços medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que forma 60% do IGP-10, principalmente nas matérias-primas brutas (com alta de 2,74%, ante -0,62% em agosto) e nos bens intermediários (1,87%, ante 0,94%). O economista destacou a alta do minério de ferro, como reflexo das melhoras nas condições macroeconômicas chinesas.
Nos bens intermediários, a inflação é sentida principalmente na indústria, em setores como siderurgia, químicos, madeira, borrachas e plásticos. Mas, segundo Quadros, o repasse da desvalorização cambial ainda não tem ocorrido para os bens finais de modo geral - nem na indústria, nem ao consumidor.
Consumidor
No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que contribui com 30% do IGP-10 e subiu 0,22% em setembro (ante -0,07% em agosto), a alimentação foi um dos principais pesos para a aceleração, com alta de 0,21% ante deflação de 0,30% em agosto. Os produtos in natura foram o principal impulso, destacou Quadros, com alta de 1,72%, em comparação à queda de 4,59% registrada em agosto.
Para alguns produtos, o economista afirma que o repasse do câmbio já aconteceu, ainda que de forma pontual. A linha dos derivados de trigo é a mais afetada, uma vez que o trigo acumula alta de 35,11% no ano. Isso fez com que a farinha de trigo subisse 2,81% em setembro, ante alta de 2,26% em agosto. O preço do pão francês também aumentou 2,14% este mês, ante 0,75% no anterior. Ainda assim, Quadros ressalta que não se observa uma alta generalizada em alimentos.
A forte aceleração no grupo de vestuário, que saiu de queda de 0,93% para alta de 0,25 este mês, ocorre devido a sazonalidade, comum aos meses de setembro. "A inversão de sinal tem a ver com o fim das promoções e o início das novas coleções", explicou Quadros.
Já os transportes reduziram sua contribuição negativa e podem acelerar ainda mais nos próximos meses. O motivo, segundo o economista, é o fim do ciclo de impacto das tarifas de ônibus. Em setembro, o índice passou para -0,18%, ante queda de 0,49% em agosto. "A tendência é de elevação, não porque tem novos aumentos, mas sim porque o impacto da queda está desaparecendo", observou.
A taxa do IGP-10 em 12 meses se manteve em patamares baixos, registrando 4,13% em setembro. Desde o início do ano, o indicador mostrou trajetória de desaceleração, depois de rondar a casa dos 8%, mas essa fase pode ter chegado ao fim, de acordo com Quadros.



