São Paulo - A elevação dos juros quebrou a unanimidade entre os empresários do comércio de que este fim de ano será o melhor desde 2000. Há redes de eletrodomésticos e móveis que reduziram as encomendas. Outras mantiveram o volume inicial de pedidos, porém admitem que correm o risco de virar o ano com sobras de produtos e, com isso, ter de cortar compras no primeiro trimestre de 2005. Há também varejistas que não se abalaram com a alta dos juros no mês passado, mas ressaltam que serão mais agressivos nas promoções de fim de ano.
A indústria, no entanto, não se diz afetada com a mudança de rota dos juros. Um dos motivos é que as fábricas estão no pico de produção, com os insumos em casa e a mão-de-obra temporária contratada para dar conta dos pedidos. Além disso, a indústria tem a seu favor o vigor da exportação, que passa ao largo do arrefecimento do consumo doméstico. Na prática, o desempenho da venda do Dia da Criança e a decisão em relação aos juros, que deve sair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para dia 20, serão variáveis fundamentais para projetar o ritmo do consumo no último trimestre.
''A nossa previsão inicial era de um Natal ótimo. Agora é de apenas bom'', afirma o supervisor geral da Lojas Cem, Valdemir Colleone. Ele conta que as expectativas mudaram depois da freada no consumo no mês passado, com a alta dos juros básicos, de 16% para 16,25% ao ano. A rede fechou setembro com queda de 15% nas vendas em relação a agosto e a expectativa era de empate. Na comparação com setembro de 2003, o crescimento esperado era de 25%, mas foi de 13%.
O que reduziu o ritmo de vendas foi o efeito psicológico da alta dos juros básicos, diz o executivo, uma vez que a rede manteve a sua taxa. Para ajustar as encomendas ao consumo mais fraco, a empresa reduziu o volume de pedidos à indústria. Até o agosto, a projeção era vender em dezembro 30% mais em igual período de 2003. Hoje a previsão é crescer 20%.
A Casas Bahia manteve o volume de pedidos para o fim do ano, apesar de ter fechado setembro com queda de 10% nas vendas ante agosto. ''Mesmo que o mercado se restrinja, não vamos deixar a indústria na mão'', diz o diretor da rede, Michael Klein. Ele explica que, para garantir preços, os contratos de compra são anuais. Se o consumo de fim de ano for menor que o previsto, a saída é reduzir os volumes de encomendas para janeiro.
Natal - Mas a expectativa da rede é vender em dezembro 40% mais que em igual período de 2003. Klein acredita que essa meta será alcançada por causa da megaloja no Anhembi, a abertura do antigo Mappin e da expansão do número de lojas. Até dezembro, serão abertas mais 20 lojas. Desde janeiro, foram inauguradas 30 lojas.
''O desempenho de setembro foi mal interpretado'', diz o diretor de Marketing e Vendas do Magazine Luiza, Frederico Trajano. No mês passado, números da Associação Comercial de São Paulo mostram que as vendas a prazo caíram 9,4% ante agosto e os negócios à vista recuaram 6,1%. O Magazine repetiu o desempenho de agosto. Para o Natal, a meta da rede é crescer 45% ante 2003. Trajano manteve os pedidos para o fim de ano e aposta no 13º salário para puxar as vendas. Frisa, no entanto, que a rede será mais agressiva nas promoções e pretende sortear até duas casas.

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