A perspectiva de um bom Natal para o comércio já é prenúncio de que 2001 poderá começar aquecido para as indústria s com forte movimento de reposição de estoques por parte das lojas, numa época em que normalmente o ritmo de atividade é menor.
As indústrias da Zona Franca de Manaus, o grande pólo de fabricação de eletroeletrônicos, por exemplo, reduziram em até dez dias as férias coletivas de Natal e Ano Novo.
‘‘Tradicionalmente, a folga nesta época varia entre 20 e 25 dias mas neste ano será de 15 dias’’, diz o diretor-executivo do Centro da Indústria do Estado de Amazonas, Ronaldo Mota.
A entidade representa cerca de 250 empresas do distrito industrial do Estado, que fabricam aparelhos de imagem e som, relógios, motocicletas, CDs, telefones celulares, artigos de informática, entre outros produtos. O pólo industrial deve fechar o ano faturando mais de US$ 10 bilhões, 40% a mais do que em 1999. Esse é o melhor resultado desde 1996, quando a indústria vendeu US$ 13 bilhões.
A sueca Electrolux, fabricante de eletrodomésticos de grande porte, como geladeira, freezer, decidiu que não irá conceder férias coletivas em dezembro para os 3,8 mil funcionários fixos, contando com a forte reposição de estoques em janeiro.
‘‘As indústrias já estão vendendo para o próximo ano’’, diz Mota
destacando que há várias companhias de Manaus trabalhando em três turnos e que a contratação de mão-de-obra temporária neste ano é de 4 mil trabalhadores, a maior desde 1994.
Os fabricantes de televisores continuam produzindo a todo vapor e vão colocar no mercado 5 milhões de aparelhos, ante expectativa inicial de produzir 4,5 milhões de unidades neste ano. Os volumes só não são maiores por escassez de componentes. Prova disso é que as fábricas de TVs vão continuar produzindo em janeiro o que faltou para completar as entregas programadas para dezembro.
Perspectivas Os supermercados também apostam num cenário favorável para janeiro, sem o tradicional hiato de enfraquecimento das vendas de início do ano. ‘‘Temos boas perspectivas para o começo de 2001, ao contrário deste ano, quando iniciamos mal’’, afirma o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo. Ele acredita na continuidade da recuperação constatada nos últimos meses. A expectativa é atingir neste mês crescimento de 5% na receita ante igual período de 1999. Sondagem da Abras com grandes empresas revela que 57% delas se preparam para um Natal melhor do que o de 1999.
A indústria de brinquedos é outra que não tem do que reclamar. ‘‘Pela primeira vez desde 1994, vamos fechar 2000 no azul, com lucro líquido de 2,8% sobre as vendas’’, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos, Synésio Batista da Costa. O faturamento de 2000 será de R$ 870 milhões, o maior registrado desde 1995.
O otimismo do varejo é confirmado por resultados preliminares de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o Sebrae, na qual foram consultadas 2,4 mil pequenas e microempresas. No ano passado, 61% dos entrevistados acreditavam num maior volume de vendas no Natal. Neste ano, a fatia dos lojistas que apostam no crescimento subiu para 70%, com destaque para o comércio de artigos de vestuário e calçados. Nesse segmento, 90% acham que o volume de negócios será maior, informa economista da FGV, Salomão Quadros.
Eletroeletrônicos, brinquedos e artigos de vestuário comemoram um ritmo mais intenso de recuperação, mas esse desempenho não se repete para outros segmentos. Na avaliação do economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, não se pode falar que a recuperação é uniforme. Ele destaca, por exemplo, que os números de 2000 são auspiciosos para a produção de TVs e automóveis, mas o resultado deste ano está abaixo do pico de vendas de 1996 e 1997, respectivamente para esses dois produtos.
‘‘Não podemos simplesmente olhar para os indicadores númericos’’
ressalta Abate. O que está fazendo a diferença neste Natal para que ele seja considerado o melhor dos últimos três anos é a consistência dos dados macroeconômicos que apontam para uma recuperação, explica o economista. Dentre as variáveis que estão contribuindo para este cenário interno favorável estão a recuperação do emprego, da massa de rendimentos, a queda da inadimplência, a estabilidade dos preços, os juros nominais mais baixos do Plano Real e a maior oferta de crédito ao consumidor, apesar dos riscos advindos de fatores externos, como a crise na Argentina, o preço do petróleo e comportamento da economia dos EUA.

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