Agência Estado
O presidente Fernando Henrique também deve anunciar, com o Recoop (Programa de Revitalização das Cooperativas), o acordo fechado na semana passada entre o governo e a bancada ruralista para a renegociação das dívidas rurais acima de R$ 200 mil. Com as duas medidas, o governo completa o processo de securitização das dívidas rurais, iniciado em 1995, renegociando dívidas totais de cerca de R$ 14 bilhões.
Numa primeira etapa foram beneficiados produtores rurais com débitos de até R$ 200 mil. Eles tiveram suas dívidas renegociadas para pagamento em até 10 anos, com dois anos de carência e juros de 3% ao ano. O Tesouro Nacional emitiu títulos para quitar os débitos dos produtores junto aos bancos e, de acordo com dados divulgados pelo governo, foram atendidos mais de 150 mil produtores com dívidas totais de R$ 7,5 bilhões.
Restava ainda resolver a situação das cooperativas e dos médios e grandes produtores rurais que, individualmente, devem acima de R$ 200 mil no crédito rural, e no total têm um débito estimado em mais de R$ 4 bilhões. Estes produtores integram os chamados ‘‘bolsões de endividamento’’, que estão nas lavouras de soja da Região Centro-Oeste e de arroz no Rio Grande do Sul.
Com o Recoop e os R$ 2,5 bilhões que serão destinados à renegociação das dívidas de cerca de 400 cooperativas rurais, o governo resolve o problema deste segmento. E para completar o ciclo da securitização, os devedores acima de R$ 200 mil poderão renegociar suas dívidas desembolsando de imediato 10,37% do valor total e, para liquidar o débito, terão 20 anos pagando somente juros entre 8% e 10% ao ano, com o principal corrigido pelo Índice Geral de Preços. Ao final deste período, a dívida estará liquidada.

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