Expectativa é que renda volte a crescer
A queda na renda pode ter relação com a alta da inflação, segundo o analista José Márcio Camargo, da Tendências Consultoria, mas também acredita que, enquanto a taxa de desemprego estiver em níveis elevados, haverá queda do rendimento. Apesar disso, ele mantém a expectativa de que a renda volte a crescer nos últimos meses do ano e ressalta que os dados de agosto mostram que ''o mercado de trabalho ficou mais ou menos parado em relação a julho''.
Essa opinião também é compartilhada por Pereira, para quem a reação do emprego deu ''uma estacionada'' em agosto. Ele, Camargo e Ramos dizem que apenas nos próximos meses, com novos resultados, será possível avaliar se essa estagnação é pontual ou prosseguirá como tendência. Ambos ressaltaram também que o mercado de trabalho melhorou bastante em agosto, ante igual mês do ano passado, quando a taxa de desemprego havia atingido 13%.
O gerente da pesquisa avalia que o pequeno aumento da taxa em relação a julho pode ser creditado ao final das férias escolares, já que muitos param de procurar emprego no período de férias e retornam ao mercado em agosto. Com isso, aumenta o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego, segmento que subiu 2% ante julho) e, em consequência, o desemprego.
Segundo ele, a política monetária também costuma afetar o mercado de trabalho porque interfere na decisão dos investidores de contratações ou demissões. ''Mas a pesquisa não tem como mostrar se a sinalização de alta dos juros em agosto teve influência na taxa'', disse. (J.F./AE)





