As duas medidas anunciadas pelo Banco Central (BC) que liberam mais
R$ 60 bilhões em recursos para os bancos emprestarem trouxeram mais otimismo ao mercado de crédito. Não há tempo neste ano para reversão do quadro atual de desaceleração, mas a expectativa é de que os juros parem de subir com o menor custo do dinheiro para as financeiras, diz o diretor executivo de estudos financeiros da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.
Assim, em médio prazo, a expectativa é de que a população volte às compras. "O governo anunciou medidas que têm capacidade de alavancar a oferta de crédito e o que falta é estabilizar confiança para elevar a demanda do consumidor", diz o economista chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas, que ainda vê expectativa de melhora no segundo semestre deste ano.
O economista Flavio Calife, do Boa Vista SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), também defende a ideia de que, quando o clima de incerteza diminuir, a tendência é que o consumo volte a aumentar. "As medidas são estruturais e trazem um efeito em médio prazo, mas temos de nos acostumar também a uma evolução maior da tomada de crédito do que já ocorreu em anos passados."
Um dos segmentos beneficiados pela oferta de crédito maior deve ser a indústria automotiva. Segundo o BC, o estoque de operações na compra de veículos recuou de R$ 186,422 bilhões em junho para R$ 185,204 bilhões no mês passado, uma diferença de 0,7%. No acumulado de 2014, a queda nesse tipo de crédito é de 3,9% e, em 12 meses, de 4,5%. A queda de julho foi a sexta consecutiva na comparação mensal. (F.G./Com Agência Estado)

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