Expectativa do setor é de queda no custo fiscal
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Comércio Exterior, José Ulysses Vieira Coutinho, acredita que o governo irá anunciar uma medida que reduza o custo fiscal dos produtos brasileiros, no conjunto de medidas de estímulo às exportações que será divulgado no Encontro Nacional dos Exportadores (Enaex), nos próximos dias 16 e 17. A defesa da desoneração tributária é uma unanimidade entre os empresários, mas o governo ainda não garantiu se incluirá alguma medida.
O Brasil está se aproximando de uma época em que o superávit comercial será fundamental para reduzir o impacto do déficit em conta corrente, afirmou ontem Coutinho. No Enaex, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, fará um palestra sobre a tributação que incide sobre o setor exportador e Coutinho será um dos debatedores. Qualquer ganho seria apenas pontual. Precisamos acabar com o imposto em cascata, disse Coutinho.
O presidente da Câmara Internacional de Comércio do Brasil (Camint), Abílio dos Santos, acredita que serão necessários, pelo menos, mais dois anos para que as exportações brasileiras comecem a crescer de forma satisfatória. Caso contrário, teremos problemas seríssimos nas contas externas, disse Santos, compartilhando o mesmo tipo de preocupação de Coutinho.
Na semana passada, Coutinho e outros representantes do setor participaram de uma reunião com o secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Roberto Gianetti da Fonseca, discutindo esse conjunto de medidas. Coutinho está confiante na eficácia do pacote. Não há dúvida de que essas medidas vão estimular as exportações, avaliou. Segundo ele, as medidas despertarão o interesse do empresário que voltou-se novamente para o mercado interno, a partir do aquecimento da economia.
O presidente da Câmara Internacional de Comércio do Brasil considerou bom o conjunto de medidas, mas lamentou que o governo deixou, mais uma vez, de lidar com o entrave fundamental para elevar a competitividade do exportador brasileiro, que é a incidência de tributos sobre a produção e o transporte. Precisamos muito da reforma tributária para criar uma força exportadora, disse. A Camint defende, também, a queda dos juros básicos para permitir que as empresas se modernizem e se tornem mais competitivas.


