Expectativa de socorro do FMI segura dólar
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terça-feira, 06 de agosto de 2002
Agência Estado 
São Paulo - A expectativa de que o valor do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) seja anunciado até amanhã contribuiu decisivamente para o dólar interromper a trajetória de alta e fechar ontem em queda de 1,58%, cotado a R$ 3,115. Pela manhã, a moeda atingiu a máxima de R$ 3,26. Algumas instituições que haviam comprado dólares ontem e ontem pela manhã resolveram se desfazer de parte dos recursos à tarde, à medida que surgiram mais indícios de que detalhes do pacote serão divulgados em breve.
Os títulos da dívida externa também foram beneficiados, o que derrubou o risco País de 2.180 para 2.126 pontos. O bom desempenho das bolsas americanas - o Dow Jones subiu 2,87% e o Nasdaq, 4,44% - também ajudou.
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 3,01% e recuperou boa parte das perdas de ontem.
Segundo uma fonte envolvida nas negociações, o montante do acordo entre o Brasil e o FMI deve sair entre hoje e amanhã. A fonte informou que deverá haver uma declaração do diretor-geral do Fundo, Horst Kohler, apenas com o valor da ajuda, mas com a condição de que a liberação dos recursos somente sairá com o apoio político dos candidatos. ''Com base no que está sendo fechado entre a missão e o FMI, o presidente poderá convocar uma reunião para apresentar as bases do acordo aos candidatos.'' Os detalhes seriam divulgados posteriormente.
''Mas, devido à urgência da situação, o que os mercados precisam saber é se haverá a liberação de dinheiro para o Brasil e esta declaração mais geral deverá ajudar a acalmar.''
Quanto à questão de como o FMI poderá concordar em anunciar uma ajuda sem uma concordância prévia dos candidatos, a fonte explicou que a efetiva liberação do dinheiro ou não dependerá deste apoio. ''Até porque Ciro Gomes (PPS) já disse que não pode aprovar o que não conhece.''
A idéia é que a missão brasileira avance na parte técnica e deixe o acordo detalhado, para que os candidatos decidam mais à frente se concordam com os termos. O programa do FMI será um novo pacote, e não a extensão do acordo firmado em setembro de 2001, segundo informou uma fonte. ''Será algo semelhante ao que aconteceu em 2001, quando faltavam seis meses para o término do programa de 1998. Foi decidido zerar tudo e fazer um novo programa.''
A expectativa é de que, se e quando houver a declaração de Kohler, o valor a ser anunciado não inclua os US$ 10 bilhões já sacados pelo Brasil, por ser um novo acordo. ''O valor do novo pacote deverá deixar o Brasil como o segundo ou terceiro país com maior uso da cota do FMI.'' Os US$ 10 bilhões já sacados deixam atualmente o Brasil com utilização de 348% da sua cota. O maior usuário é a Turquia, o segundo é o Uruguai e o terceiro é a Argentina.
O mercado ficou animado com uma declaração do secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru. Indagado sobre os resultados das suas reuniões no Banco Mundial e no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Caramuru disse: ''Resultados concretos não têm. Não têm notícias na próxima meia hora ou nas próximas 24 horas'', afirmou. Perguntado se haveria notícias nas próximas 48 horas, ele limitou-se a sorrir.
O chefe da missão que negocia com o FMI, Amaury Bier, disse que espera a conclusão das negociações entre o Brasil e o Fundo o mais rápido possível. Perguntado se algum anúncio poderia ser feito em 48 horas, Bier disse: ''Não é possível prever. Mas espero o mais rápido possível.'' As especulações são de que o pacote fique entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, e o piso de reservas líquidas seja reduzido de US$ 15 bilhões para US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões.


