Expectativa de safra recorde não anima produtores de trigo
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quinta-feira, 05 de março de 2015
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
Mesmo com uma redução de 2% na área plantada de trigo neste ano, estimada em 1,36 milhão de hectares, a produção do cereal referente ao ciclo 2014/15 deverá bater o recorde, segundo calcula o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Ao todo, o Paraná espera colher 4,1 milhões de toneladas do cereal, volume 8% superior em relação à safra passada.
O anúncio seria motivo de comemoração para os produtores que vão plantar a cultura nesta safra se o valor da commodity não estivesse tão baixo, afirma Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral. O especialista conta que o preço da saca tem ficado abaixo do valor mínimo estabelecido pelo governo federal, que é de R$ 33,45 (60 quilos). "Os valores baixos têm desestimulado os produtores a investirem na atividade."
Em fevereiro, o preço médio da saca no Paraná foi de R$ 30,66, ante R$ 41,41 registrado em fevereiro de 2014. Na média do ano, o preço do trigo recebido pelo produtor está estimado para 2015 em R$ 30,50, contra uma média finalizada no ano passado de R$ 36,66.
Godinho explica que o recorde de produção só deverá ocorrer porque, na safra 2013/14, foi registrado no Estado uma queda na produtividade, motivada principalmente por condições climáticas adversas. Na safra passada, o rendimento das lavouras paranaenses foi de 2.734 quilos por hectare. Já para o atual ciclo são esperados 3.012 quilos. O engenheiro salienta que, mesmo com esse incremento em produtividade, os produtores estão bem desanimados por causa dos baixos valores da commodity.
O agrônomo do Deral observa que, além do valor da saca estar abaixo do mínimo, os estoques ainda continuam elevados antes mesmo do início da safra. "Se colhermos bem neste ano, os preços tenderão a continuar em baixa", sinaliza Godinho. Ele salienta que ainda há muito produto estocado tanto nos moinhos, quanto em propriedades e cooperativas.
O produtor Wilson Wendz tem reduzido a área plantada com o cereal devido à falta de preços remuneradores. Neste ano, por exemplo, ele deve plantar apenas 40 hectares de trigo na região de Londrina, contra 70 hectares semeados no ciclo 2013/14. "O governo não está pagando nem os preços mínimos", lamenta o agricultor. Ao todo, ele espera colher, se o clima ajudar, 50 sacas de trigo por hectare. Na safra anterior, a produtividade de Wendz chegou a 60 sacas por hectare.
Uma análise divulgada recentemente pelo Deral apontou que o produtor também está cauteloso em relação ao plantio das culturas de milho e feijão neste segundo ciclo. Mesmo assim, é esperada para as duas culturas uma safra maior porque os índices de produtividade das lavouras estão se elevando em função do nível mais alto de tecnologia adotada.
De acordo com o Deral, ao todo, espera-se colher em torno de 14,7 milhões de toneladas de grãos na segunda safra deste ano. Os técnicos acreditam que as estimativas de redução de área plantada ainda podem ser revertidas dependendo da aposta do produtor que está aguardando ao máximo uma definição do mercado para o trigo ou para o milho. De acordo com o Deral, essa aposta está mais favorável ao produtor do Norte e Norte Pioneiro do Estado, que está menos sujeito às influências mais danosas do clima. Em outras regiões, a intensidade do frio é maior e pode ser mais prejudicial às lavouras. (Com Agência Estadual).


