Brasília - Depois de duas semanas seguidas com expectativas de redução da inflação, o mercado financeiro voltou apostar em crescimento dos índices de preços esse ano. A expectativa para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2003 subiu de 12,19% para 12,26%, na pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com um grupo de cem instituições financeiras e empresas de consultoria.
Apesar da alta verificada na pesquisa divulgada ontem, o porcentual de 12,26% ainda é menor que os 12,33% registrado há quatro semanas. As projeções para 2004, no entanto, permaneceram estáveis em 8%, enquanto as estimativas de IPCA em 12 meses aumentou de 9,62% para 9,64%.
O novo porcentual ainda está além das projeções da inflação para o final de ano anunciadas pelo BC no Relatório de Inflação divulgado ontem, que prevê uma taxa de 10,8% em um cenário básico e 9,5% em uma perspectiva mais otimista. A projeção para o IPCA em 12 meses também está acima dos 6,7% de inflação previstos para o primeiro trimestre de 2004 pelo BC no relatório.
O levantamento captou ainda uma queda na expectativa da taxa de câmbio. As projeções de mercado para o valor do dólar no final de 2003 recuaram de R$ 3,60 para R$ 3,55. As estimativas para o câmbio ao fim de 2004, por sua vez, caíram de R$ 3,75 para R$ 3,70.
O mercado continua apostando que as taxas de juros serão reduzidas ao longo do ano, mesmo com o viés (tendência) de alta estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião. As previsões para a taxa Selic no final deste e do próximo ano ficaram estáveis em 22% e 18%, respectivamente. Atualmente, a Selic está em 26,5% ao ano. As estimativas de mercado para a dívida líquida do setor público em 2004 recuaram para 54,25% do PIB.

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