Expectativa de inflação anual sobe para 5,83%
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segunda-feira, 28 de março de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - As expectativas de inflação não deram trégua e subiram pela quarta semana consecutiva na pesquisa feita com mais de 100 instituições financeiras e divulgada ontem pelo Banco Central (BC). A nova alta fez as projeções pularem dos 5,80% da semana passada e alcançarem a marca dos 5,83%, maior porcentual estimado desde a segunda metade de novembro do ano passado. Naquele período, as previsões de variação do IPCA estavam em 5,90%. O aumento deixou as previsões de inflação ainda mais distantes da meta de 5,1% perseguida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano.
O pessimismo com relação ao comportamento dos preços acabou por levar os participantes do levantamento semanal do BC a postergar para setembro a previsão de retomada das quedas de juros pelo Copom. Pelos números da pesquisa anterior, os juros ficariam estáveis em 19,25% até julho e recuariam para 19% em agosto. Pelos dados divulgados ontem, a taxa de juros permanecerá inalterada em 19,25% até agosto e recuaria 0,50 ponto porcentual em setembro. Com isso, a taxa voltaria aos mesmos 18,75% ao ano do último mês de fevereiro.
Após a primeira redução, a taxa voltaria a recuar mais 0,50 ponto porcentual em outubro e novembro. Com o alívio, os juros terminariam o penúltimo mês do ano em 17,75%. Em dezembro, a velocidade da queda se desaceleraria e recuaria apenas 0,25 ponto porcentual. A taxa de juros, em consequência, terminaria o ano em 17,50%. Para 2006, as instituições participantes da pesquisa do BC acreditam que os juros terão um espaço de queda de 2,5 pontos porcentuais. Com isso, os juros terminariam o governo Lula em 15% ao ano e atingiriam o seu menor valor nominal desde 1994, quando foi lançado o Plano Real.
O aumento da cautela com a condução da política de juros não chegou a provocar alterações nas estimativas de crescimento econômico para este ano e o próximo.
Pelos dados da pesquisa semanal, o Produto Interno Bruto (PIB) teria neste ano um aumento de 3,67%. Apesar de estável, o porcentual projetado é inferior aos 3,70% estimados há quatro semanas e também veio abaixo dos 4% projetados pelo próprio BC ao final do ano passado.
Para 2006, as previsões de expansão do PIB foram mantidas em 3,70%.


