Agência Estado
De São Paulo
O mercado financeiro iniciou os negócios do novo ano em clima de instabilidade, preocupado, mais uma vez, com a perspectiva de elevação das taxas básicas de juro norte-americanas.
O temor ficou reforçado pela suspeita de aumento em dose dupla: a alta de 0,25 ponto porcentual supostamente programada para dezembro, não adotada por conta dos transtornos com o bug do fim do milênio, poderia ser sacramentada nesta virada de ano. Se a previsão for confirmada e também a de uma elevação de 0,25 ponto-base, estimada para janeiro, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) definiria uma elevação de 0,50 ponto numa tacada só e o juro subiria de 5,50% ao ano para 6%.
A preocupação foi fortalecida porque as especulações em torno da elevação dos juros coincidiram também com a notícia de que o presidente Bill Clinton, dos EUA, decidira manter o economista Alan Greenspan no comando do Fed. Monetarista convicto, Greenspan não tem hesitado em utilizar os juros como instrumento para inibir preventivamente qualquer tendência de alta da inflação. A idéia é que indícios de pressão inflacionária na economia dos EUA permanecerão tendo como resposta uma aceleração das taxas de juros.
Embora os mercados de ações, locais e e de fora, tenham fechado a primeira semana do ano com sinais de recuperação, o gerente de Open do Banco Indusval, Antonio Rudyard, prevê um período de incertezas e instabilidade até a próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed, em 1º de fevereiro, que vai decidir o rumo dos juros básicos norte-americanos. ‘‘Uma elevação de 0,50 ponto-base vai provocar um realinhamento das taxas de juros no mundo todo’’, prevê.
A expectativa de alta dos juros internacionais é um fator complicador para o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne dia 19 para decidir o rumo das taxas domésticas, comenta Rudyard. Embora insista em que os juros têm compromisso apenas com a inflação, cujos sinais são claramente declinantes, o Banco Central não teria como ignorar o movimento dos juros internacionais para definir o nível das taxas de juros internas. Segundo ele, a taxa doméstica precisa permanecer atraente para competir com os mercados externos e atrair o capital estrangeiro, enquanto não houver uma vigorosa recuperação do saldo da balança comercial.
Seria improvável, contudo, um reajuste na taxa básica de 19% ao ano pelo Copom, dia 19, antes da reunião do Fed, em 1º de fevereiro. ‘‘O Banco Central estará em vôo cego, tentando traduzir o que pode ocorrer com os juros no mundo.’’ O prognóstico de Rudyard é que, diante das incertezas, o BC deixe o juro estável e, se houver necessidade de elevação, marque outra reunião do Copom antes da data prevista.
Rudyard afirma que o período é de incertezas e o investidor deve optar pela prudência, sem se expor a riscos. Os fundos DI são a melhor escolha, porque tiram proveito de possível elevação das taxas de juros. Uma flexibilidade que não existe nos fundos de renda fixa com carteira lotada de títulos prefixados, cuja rentabilidade é mantida, mesmo que ocorra uma alta dos juros.
Eles sugere a renda variável com restrições. O investimento em Bolsa, por meio dos fundos de ações, deve ser feito apenas por quem espera retorno de longo prazo. Segundo Rudyard, é contra-indicado para quem tem expectativa de lucro ainda este ano, porque as ações tiveram forte valorização no ano passado.

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