São Paulo - As apostas dos analistas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana estão divididas entre um corte de 0,25 a 0,5 ponto porcentual e a manutenção da taxa Selic em 18,5% ao ano. No entanto, mesmo que haja uma redução dos juros, os economistas dizem que isso não deve provocar uma queda expressiva das taxas de longo prazo (que afetam o custo do crédito), porque as incertezas políticas é que as mantêm elevadas.
O professor da USP José Augusto Savasini, sócio da Rosenberg & Associados, entende que um corte dos juros só será possível se o câmbio cair para a casa de R$ 2,75 (na sexta-feira, o dólar fechou em R$ 2,8110). Uma queda da Selic, porém, não deve ser suficiente para derrubar com força os juros longos, uma vez as taxas estão nesses níveis principalmente por causa do cenário político, afirma ele.
Para Savasini, um acordo formal entre os quatro candidatos a Presidência em torno de pontos como a manutenção do superávit primário (receitas menos despesas, exceto gastos com juros) de 3,75% do PIB poderia mudar esse quadro, provocando uma melhora no risco País, no câmbio e nos juros longos. A concretização desse acordo poderia levá-lo a revisar para cima sua projeção de crescimento para este ano, de 1%. ''Mas acho isso improvável.''
O economista-chefe do BBV Banco, Octavio de Barros, acredita num corte de 0,25 ponto porcentual, sem indicação de viés para a taxa. Para ele, o aumento da meta inflacionária para 2003 de 3,25% para 4% e a ampliação do intervalo de tolerância de 2 para 2,5 pontos porcentuais abriu espaço para a redução dos juros. ''E um corte de 0,25 ponto não compromete nem a trajetória da inflação nem a credibilidade do BC.''
Para Barros, o comportamento dos preços livres, que são diretamente influenciados pela política monetária, tem sido bastante positivo, o que também favorece uma redução discreta dos juros. Um corte mais ousado, no entanto, poderia provocar especulações de que o BC estaria agindo de forma política, afirma ele.
Boas notícias - Barros ressalta que uma redução da taxa agora seria importante para que o mercado não voltasse ao mau humor que dominou os negócios por muitas semanas. ''Os investidores estão torcendo por boas notícias, ainda que modestas - como um corte de 0,25 ponto da taxa Selic.'' Barros também entende que essa redução não mudaria significativamente as taxas de juros mais longas, mas acredita que o impacto sobre as expectativas seria positivo, melhorando o humor de empresários e consumidores.
O chefe para a América Latina da consultoria IDEAGlobal, Ricardo Amorim, aposta num corte de 0,25 a 0,5 ponto. Para ele, como o IPCA do IBGE de junho ficou em 0,42%, abaixo do 0,5% esperado pelos analistas, e o dólar está mais comportado, há espaço para o BC reduzir a Selic.

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