Expectativa da indústria do Paraná é a menor
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
A expectativa dos industriais paranaenses para 2016, revelada em pesquisa da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) em parceria com o Sebrae, é a mais baixa desde 1996, quando o estudo começou a ser realizado anualmente. Pela primeira vez desde a primeira sondagem o indicador favorável ficou abaixo da linha dos 50%, atingindo o patamar dos 32,89%. Mais da metade (54,03%) está pessimista para o próximo ano.
Segundo o superintendente do Fiep, Reinaldo Tockus, vários fatores contribuíram para o baixo índice, entre eles, as questões políticas e econômicas, o câmbio e o decréscimo na criação de novas vagas. "Existe uma série de fatores negativos que acabaram fazendo com que o empresário fique desestimulado para fazer investimentos. Isso traz uma atmosfera de insegurança em que ele mantém uma posição retraída, procura manter a atividade latente, sem grandes investimentos e riscos de forma a conseguir permanecer no mercado até encontrar condições melhores para investir em tecnologia, capacitação e em novos mercados."
A XX Sondagem Industrial realizada pela Fiep mostra ainda que, para 2016, as perspectivas para quem está pessimista é de nenhum novo investimento, redução de emprego e nas vendas. Para os entrevistados, a carga tributária, os encargos sociais e o custo financeiro elevado são os principais fatores que afetam a competitividade nacional.
A fim de enfrentar a concorrência em 2016, os industriais planejam enxugar custos, qualificar seu pessoal e investir em novos produtos, revela ainda o estudo. Os investimentos serão direcionados à melhoria de processos, desenvolvimento de produtos e aumento de produtividade, usando estratégias de satisfação do cliente, desenvolvimento de novos negócios e pesquisa, desenvolvimento e inovação de produtos.
De acordo com Tockus, em 2015 muitos setores da indústria apresentaram crescimento da produtividade devido ao investimento em capacitação de pessoal e em tecnologia, com destaque para a alta tecnologia, a indústria automobilística e o seu entorno, a agroindústria, o setor de papel e celulose e o de alimentos. No entanto, a alta carga tributária foi um contraponto, gerando aumento das despesas nas indústrias.
Para superar o cenário de crise e incerteza, os industriais precisam buscar alternativas, diz o superintendente. Exemplos são o mercado internacional e o investimento em tecnologia e em capacitação dos funcionários. "A exportação é uma grande alternativa até porque nossos produtos estão atrativos para o mercado internacional. É uma janela de oportunidade. Outra alternativa é investir na empresa no que diz respeito à tecnologia e à capacitação de funcionários para que se tenha uma infraestrutura enxuta, mas eficiente."
Segundo Tockus, o cenário de câmbio desfavorável para o real pode ser positivo para quem pensa em exportar. "O real foi uma das moedas que mais tiveram desvalorização frente ao dólar. Isso é ruim por um lado, mas por outro, faz com que nossos produtos fiquem mais atrativos, mais baratos."
"O governo precisaria ter um olhar muito especial principalmente para a questão da infraestrutura, estradas, ferrovias. Temos o pedágio mais alto do mundo", finaliza o superintendente da Fiep. Conforme a Sondagem Industrial, os industriais paranaenses estão insatisfeitos com a maior parte da infraestrutura do Estado, com a exceção dos aeroportos e portos.


