Expectativa, agora, é com 'carta de intenções'
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segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Agência Estado 
Com a falta de novidades sobre eventual reestruturação da dívida argentina, o mercado cambial doméstico colocou o país vizinho em banho-maria ontem. A estreita liquidez no mercado à vista brasileiro associada a ligeiro fluxo negativo e à proximidade do vencimento do contrato futuro de câmbio de setembro na Bolsa de Mercadorias & Futuros provocaram a alta de 0,47% do dólar comercial, para R$ 2,56 patamar mais alto desde 16 de julho. Segundo os profissionais das mesas de operação de bancos e corretoras, há expectativas sobre a divulgação da carta de intenções do governo argentino com o FMI e sobre a reestruturação da dívida.
Um experiente diretor de tesouraria de um banco disse que essa suposta renegociação seria em bases mais favoráveis, que traria credibilidade e mais sobrevida ao país vizinho, porém, não resolveria o problema maior, que é a manutenção do currency board (paridade entre peso e dólar). Para esse profissional, esta política monetária tira competitividade comercial e também impede que o governo tenha flexibilidade para gerir a política monetária do país.
Dessa forma, em questão de tempo, avalia o executivo, a Argentina voltaria a preocupar os investidores, podendo piorar até o grau de contágio sobre o Brasil. Nessa linha de raciocínio, afirma, a própria dívida externa brasileira estaria ameaçada de default. Isso porque poderia haver interrupção abrupta de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil que, associada ao inexpressivo saldo comercial, trariam dificuldades ao governo para honrar o grande volume de dívida brasileira indexada ao câmbio (só a dívida mobiliária federal interna indexada ao dólar em julho somava R$ 165,80 bilhões ou cerca de US$ 64,77 bilhões, pelo fechamento de ontem).
Ontem, o governo brasileiro anunciou que a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 156 milhões entre os dias 20 e 26 deste mês. Já o superávit comercial acumulado em agosto está em US$ 318 milhões e, neste ano, em US$ 352 milhões.
No final da tarde, o presidente do Banco Central brasileiro, Armínio Fraga, reuniu-se na sede do BC no Rio com o vice-ministro de Economia argentino, Daniel Marx. Os dois ministros fizeram uma avaliação da conjuntura econômica dos dois países. Segundo os operadores das mesas de câmbio, o desfecho dessa reunião poderá determinar o comportamento do dólar hoje.
A novidade o segmento cambial ontem foi o lançamento do pregão eletrônico de câmbio spot, da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O volume de R$ 639,461 milhões movimentado no primeiro dia de negociações, porém, causou supresa a muitos profissionais de bancos e corretoras, que atuam no mercado à vista convencional.
A novidade o segmento cambial ontem foi o lançamento do pregão eletrônico de câmbio spot, da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O volume de R$ 639,461 milhões movimentado no primeiro dia de negociações, porém, causou supresa a muitos profissionais de bancos e corretoras, que atuam no mercado à vista convencional.
No mercado à vista, o dólar comercial operou com baixa volatilidade, de 0,43%, entre a mínima de R$ 2,5520 (+0,16%) e a máxima de R$ 2,5630 (+0,59%). Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o giro financeiro com contratos cambiais somou cerca de R$ 7,39 bilhões (57.290 negócios), ante R$ 8,81 bilhões (70.290 negócios) registrados na sexta-feira.
A absoluta falta de notícias sobre a Argentina foi a principal responsável pelo pregão anódino. A carta de intenções com o Fundo Monetário Internacional é aguardada, mas não se esperam revelações bombásticas deste documento. Embratel PN disparou 7,22%, a maior alta do Ibovespa, depois de ter amargado perdas fortes com a multa de R$ 501 milhões.(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


