De acordo com o economista Azenil Staviski, são várias as razões para o amplo crescimento do PIB, registrado em 2010. ''Desde a estabilização da economia, houve um aumento de investimentos no País, potencializado pela queda gradativa da taxa de juros'', afirma. Staviski explica que os juros mais baixos em relação aos recordes históricos tornaram os investimentos mais lucrativos.
Segundo ele, o fator que melhor explica esse resultado é o aquecimento da demanda, impulsionado pelo aumento do poder de compra dos brasileiros. O crescimento da economia brasileira, que só não foi registrado durante a crise econômica mundial, representa que há mais pessoas empregadas e gerando renda. Além disso, o economista destaca a maior oferta de crédito como um impulsionador desse crescimento. ''Antes, a oferta de crédito era de 20% em relação ao PIB, mas hoje está em cerca de 50%'', relata.
A demanda aquecida interfere nos preços e, para conter a inflação, o Governo Federal adotou como medidas o aumento da taxa de juros e a redução da oferta de crédito. ''Para eliminar a inflação, é preciso cortar gastos e qualificar esses gastos'', orienta Staviski. Segundo ele, a intenção é desaquecer a demanda de consumidores, empresários e de investidores internacionais no País: frear o crescimento da economia para que a inflação não suba mais.
Staviski esclarece que essas medidas são feitas desde a implantação do Plano Real, sempre que a inflação cresce. ''Se a inflação não parar, a taxa de juros pode voltar a subir e isso é preocupante porque inibe os investimentos'', ressalta o economista. Para ele, o Brasil tem conseguido manejar essa situação e atualmente é o terceiro no mundo em taxa de crescimento. ''São medidas necessárias, mas com repercussão negativa'', conclui.
Projeções
Com base no impacto dessas medidas, a expectativa do Governo Federal para o PIB de 2011 é de um crescimento de aproximadamente 5%. Com o aumento dos juros, a demanda de investimentos tende a diminuir porque se torna mais onerosa e o corte no crédito inibe os consumidores devido ao medo de endividamento. ''Isso é necessário porque não temos crescimento sustentável contínuo no Brasil, falta infraestrutura adequada para a produção'', argumenta Staviski.
O agronegócio é um fator importante para a economia do Norte do Paraná e, segundo o economista, esse segmento pode ajudar a manter o crescimento do PIB de 2011 na região. ''O preço alto das commodities no mercado internacional pode ajudar a segurar a competitividade do setor'', avalia.

mockup