Expansão pode virar ''bolha', alerta Abimaq
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quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Elaine Cotta<br> Agência Folha 
São Paulo - A forte recuperação da indústria e a melhora do nível de emprego no setor não passarão de ''bolha'' se o País não criar condições para estimular os investimentos. Essa, pelo menos, é uma das principais preocupações do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello.
Em documento encaminhado ao Congresso, Mello cita uma série de gargalos que podem frear o ritmo de crescimento e pede atenção para o projeto das PPPs (Parcerias Público-Privadas). Com essa atitude, a Abimaq se une ao grupo de setores ligados à infra-estrutura que decidiu encampar a ''força-tarefa'' do governo para apressar a votação do projeto. ''Se os investimentos em infra-estrutura não acontecerem já, a expansão industrial e a geração de emprego não passarão de uma ''bolha' efêmera e decepcionante duração'', alerta o texto.
Segundo a Abimaq, o Brasil precisa investir R$ 38,2 bilhões por ano para recuperar a infra-estrutura e assim criar condições para manter a sustentabilidade do crescimento econômico. Desse total, R$ 20 bilhões - mais de 50% - precisam ser gastos no setor de energia. Outros R$ 9 bilhões deveriam ser destinados a obras de saneamento.
O restante, R$ 9,2 bilhões, iria para transportes: R$ 4,5 bilhões para as rodovias, R$ 3 bilhões para as ferrovias, R$ 1,2 bilhão para o portos e R$ 500 milhões para as hidrovias. A Abimaq alerta ainda que os setores produtivos -especialmente a indústria e os exportadores - já começam a sofrer os impactos das condições ''desfavoráveis'' da infra-estrutura.
''Se essa situação não for corrigida em curtíssimo espaço de tempo, poderá comprometer de forma irreversível a competitividade dos produtos e das empresas brasileiras'', informa. Essa situação, segundo a associação, é resultado de ''quase duas décadas de baixíssimos níveis de investimentos'' e poderá provocar perda de participação nos mercados externos.
Expansão- As empresas do setor de máquinas industriais que têm capital aberto tiveram lucro recorde no primeiro semestre deste ano. Levantamento da consultoria Economática mostra que o setor lucrou R$ 282 milhões entre janeiro e junho.
O crescimento do setor de máquinas é puxado pela melhora da indústria de transformação, que investe em equipamentos para elevar a produção para atender o aumento da demanda, tanto interna, quanto externa.
Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou a sua estimativa para o crescimento da indústria neste ano, que deve ser de 6%. As exportações devem ter expansão de 35% e superar os US$ 90 bilhões.


