Rio de Janeiro - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse ontem que o País ''com certeza vai ultrapassar os 4% de crescimento'' este ano e que este resultado do Produto Interno Bruto (PIB) será ''o primeiro passo para a rota do crescimento sustentado'', mas não quis dar detalhes sobre sua projeção. ''Vamos aguardar. Eu prefiro ser mais prudente nas expectativas e nas previsões para não animar muito o mercado'', brincou.
Mantendo a ''prudência'', Mantega não quis comentar a possibilidade de elevação dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas disse que qualquer alteração na taxa básica (Selic) não tem efeito imediato. ''Não vamos trabalhar com especulação, vamos aguardar. Não vamos pressionar o Copom, de modo que eles fiquem tranquilos e calmos, bastante zen. Eles vão ser suaves nas suas decisões.''
Mantega afastou o risco de inflação de demanda. ''Eu não acredito nessa idéia de que pode haver remarcação generalizada. O setor consumidor, os que compram insumos, vão tentar segurar estes preços. Dentro da própria estrutura produtiva, existem freios naturais'', disse. Ele admitiu a elevação recente do nível inflacionário, mas sustentou que a situação ''está sob controle''.
A produção industrial deverá crescer este ano entre 5% e 6% este ano, na avaliação do ministro, que citou a taxa de julho (aumento de 9,6% em relação ao mesmo mês do ano passado) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para ratificar sua estimativa. Sobre o recuo de 1,1% do setor de bens de capital ante a produção de maio, ele avalia que pode se tratar ''de um ajuste''.
''Este setor foi o que mais cresceu no primeiro semestre, comparado com o mesmo período do ano passado, se não me engano a uma taxa de 25%. É natural que não se mantenha esta taxa tão elevada, muito acima dos outros setores'', analisou. O ministro defendeu, ainda, que os empresários precisam ter confiança em investimentos de longo prazo para aumentar a capacidade produtiva.
O ministro participou do Mini-Fórum Nacional promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do BNDES, em homenagem aos 40 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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