Expansão do crédito pode chegar a 30%
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2006
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - O crédito ao consumidor deve continuar a todo vapor como motor da economia em 2007 e meados de 2008, enquanto o governo procura alternativas para pôr o País na rota do crescimento robusto, de 5% ao ano, com a ampliação dos investimentos produtivos. Com a redução da taxa básica de juros, a Selic, para 13,25% na semana passada (o menor nível em termos nominais da história do País), a perspectiva para 2007 é expandir entre 25% e 30% o volume de empréstimos ao consumidor. A projeção dos analistas de crédito considera um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 3% e 3,5% para o ano que vem.
Neste ano, as financeiras e os bancos não têm do que reclamar. O saldo das operações de crédito ao consumidor, isto é, tudo que foi emprestado aos brasileiros com recursos livres das instituições financeiras, deve fechar 2006 na marca histórica de R$ 200 bilhões. A alta é de quase 30% ante 2005. Até outubro a cifra era de R$ 189 bilhões, 21,8% mais que em dezembro de 2006, segundo o Banco Central.
O que sustenta a previsão otimista de que 2007 será o quinto ano consecutivo de expansão dos financiamentos ao consumidor na casa de dois dígitos é o cenário favorável para os empréstimos. ''Nunca a taxa média de juros cobrada do consumidor foi tão baixa como hoje e o prazo médio de financiamento tão longo'', diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.
Pesquisa nacional feita pela entidade revela que a taxa média de juros ao consumidor em outubro era de 7,43%, ou 136,32% ao ano. No mesmo período de 2005, o consumidor pagava 7,58% ao mês ou 140,31% ao ano para comprar a prazo. Em 12 meses, são quase 4 pontos porcentuais a menos.
Um estudo feito pelo diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, mostra que o montante de financiamentos concedidos aos consumidores pode manter o ritmo atual de crescimento até meados de 2008, sem comprometer a capacidade de pagamento. ''O crédito pode ser o motor da economia por mais um ano e meio'', afirma Silveira.
Para chegar a essa conclusão, o economista considerou três hipóteses. Primeiro levou em conta que a massa nominal de rendimentos dos trabalhadores encerre o ano em R$ 67,3 bilhões. Em segundo lugar, descontando gastos obrigatórios com alimentação, transporte e moradia, as famílias têm disponíveis 25% da sua renda para gastar. Por último, o economista levou em conta que o prazo médio dos financiamentos em setembro era de 18 meses.
Da combinação dessas três variáveis, Silveira concluiu que o brasileiro tinha em setembro capacidade para pagar uma dívida R$ 303 bilhões, ante os financiamentos já assumidos na época, que somam R$ 187 bilhões. Por isso, o volume de empréstimos pode crescer na faixa de 30% em 2007, sem causar constrangimentos.


