Josoé de CarvalhoSem segredoOs visitantes fotografam e filmam o café de Klaus Rank, de Rolândia: perguntas sobre tipo da bebida e custos de produção. Conclusão é de que o Paraná será mais competitivo no mercado externo A expansão da cafeicultura no Paraná preocupa a Colômbia. Uma delegação da Federacion Nacional de Cafeteiros de Colômbia, composta de produtores e técnicos, esteve sábado no Norte do Estado para conhecer o sistema de plantio adensado e ver como o Paraná está estruturando sua nova cafeicultura. A preocupação dos colombianos é com um eventual excesso de produção nos próximos anos, capaz de derrubar os preços do produto no mercado internacional. Um aumento de área no Brasil sempre repercute no mercado internacional, segundo Antônio Herron Ortiz, chefe da delegação e gerente da Federação de produtores.
Ortiz disse que a nova tecnologia do adensado - maior produção por área a um custo mais baixo - e os bons preços praticados no mercado internacional neste momento podem levar a um brutal aumento de área. ‘‘Isto não é bom nem para o Brasil nem para a Colômbia’’ - disse. Os picos de preços, como agora, provocam euforia e atraem agricultores que não têm tradição em café. O resultado desse ‘‘boom’’ pode ser a queda acentuada dos preços e uma nova crise no setor daqui a dois ou três anos. Sem falar que preços muito altos reduzem o consumo. O café pode ser substituído por algumas das centenas de opções de bebidas, inclusive os chás.
Os colombianos visitaram, pela manhã, as lavouras de Odair Crespo, em Cambira; de Aparecido Camacho e Klaus Rank, em Rolândia, acompanhados de Florindo Dalberto, presidente em exercício do Iapar, e Rafael Figueiredo, da Emater. Na Corol, ouviram os técnicos Miguel Abrão, Humberto Nogueira Duarte e José Lovato.
A boa produção de uma lavoura de um ano e 10 meses (Iapar 21) impressionou os visitantes. Eles também ouviram atentamente a exposição dos técnicos da Corol sobre o nível tecnológico e o interesse dos cafeicultores diante da nova perspectiva. Saíram com a certeza de que o Paraná vai aumentar sua produção e eficiência. Ortiz, que veio várias vezes ao Paraná, pôde comparar a cafeicultura de quatro cinco anos atrás e a nova, implantada sobre novas bases técnicas.
Josoé de CarvalhoOs colombianos em visita a lavouras de Rolândia: tecnologia e competência dos nossos produtores foram reconhecidas por quem está na frente
Concorrência A Colômbia não teme perder espaço para outros países no mercado de cafés cereja-despolpados, sua especialidade. Ela é a principal fornecedora desses tipos de café, o ‘‘suave colombiano’’ e poucos países produtores, com exceção do Quênia, fornecem bebidas tão específicas.
No entanto, Ortiz admite não ter sido bom sofrer queda de produção. A safra colombiana deve ficar entre 9,5 e 10 milhões de sacas contra uma expectativa de produção de 13 milhões de sacas, dentro da média histórica. Houve excesso de chuvas na época da florada, segundo Ortiz, mas ano que vem a safra estará recuperada.
A queda de produção, porém, não implica em perda de espaço no mercado internacional, avisa Ortiz, sem deixar entrever que existe preocupação, por parte da Colômbia, em perder mercado para o Brasil ou outros concorrentes.

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