Expansão das atividades
da indústria chegou a 25%
Agência Estado
Quatro anos após o início da circulação do real, a indústria trabalha em nível 25% mais elevado do que no período anterior à instituição da nova moeda. A expansão das atividades ocorreu nesse período aos saltos e sobressaltos. Crises externas sucedidas por medidas de defesa da economia doméstica fizeram com que o volume da produção oscilasse muito. Quedas abruptas das vendas foram seguidas por períodos de retomada da produção, numa rotina que caracterizou o período do real e comprovou o vigor do mercado interno.
Essa é a análise que empresários e técnicos do setor fazem do desempenho da indústria a partir do Plano Real. Os índices relativos à produção e vendas da indústria, a partir de junho de 1994, mostram que o maior impacto ocorreu em março de 1995. A crise do México e a desconfiança por parte dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil levou à adoção de medidas drásticas por parte do governo brasileiro. As autoridades monetárias contaram o crédito, aumentaram os juros e obrigaram as instituições financeiras a fazer depósitos compulsórios em níveis tão elevados que não sobrou quase nada para as financiar a produção.
Em março de 1995, o valor das vendas da indústria paulista já era quase 50% maior do que no início do real. A intervenção na economia levou a uma queda no faturamentos superior a 30%. A recuperação só ocorreu em 1997, ano em que as economias asiáticas foram sacudidas por forte crise, que levou o governo brasileiro a novas providências para se prevenir de eventuais ataques especulativos. Desta vez, os efeitos sobre as atividades produtivas não foram tão intensos. As taxas de juros quase dobraram e as vendas, em pleno fim de ano, caíram 15%, em valores cujos cálculos desconsideravam os efeitos sazonais.
A alta dos custos financeiros atingiu a indústria de forma desigual. O diretor do Departamento de Economia (Decon), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Boris Tabacof, afirma que as principais vítimas foram os fabricantes de artigos de consumo duráveis.
Leia mais sobre os quatro anos do Plano Real nas página 3 e 4

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