Não é apenas para os consumidores que o mercado de combustível de Londrina parece ser uma guerra. Para o Sindicombustíveis (sindicato dos proprietários de postos), historicamente o setor se assemelha a uma novela em capítulos e com todos os ingredientes: preços altos e baixos, denúncias, falcatruas e prisões. ''É até difícil dizer isto mas não existe ainda o que não tenha acontecido em Londrina'', afirma o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, referindo-se a sonegação, dumping, prisão e adulteração. Apesar da afirmação, ele ressalva que a maioria dos donos de postos é ''pessoa de bem''.
''Não existe milagre, mas excesso de fraude. O mercado de Londrina é complicado'', comenta Fregonese. Na avaliação dele pode haver alinhamento de preços mas seria ''impossível'' que apenas uma pessoa estabeleça os custos aos consumidores em Londrina, como denunciou o dono de um estabelecimento à FOLHA.
''Não acredito que um só comande os preços porque o mercado é grande e há pessoas (donos de postos) conhecidas das autoridades'', observa. Sobre o alinhamento de preços, o presidente do sindicato afirma que no mundo todo o mercado segue quem vende mais barato.
Segundo Fregonese, o mercado é bastante sensível e, em algumas situações, as distribuidoras realmente entram na competição de preços para proteger seus revendedores e consumidores. ''Neste caso todas as margens de lucro (das distribuidoras e dos postos) são sacrificadas e os preços predatórios são acompanhados. Só que isso tem prazo para ocorrer, não acontece o tempo todo porque todos trabalham para ter lucro e não prejuízos'', afirma. Em um universo de 106 postos, ele afirma que um grande volume está comprometido com irregularidades como sonegação, adulteração, lavagem de dinheiro, carga roubada e comercialização de menos combustível do que marca na bomba.
''Estes postos, inclusive, foram denunciados pelo Sindicombustíveis, o Ministério Público tem esta relação só que o Ministério Público não consegue enxergar o mercado como ele é'', salienta o presidente do sindicato. Ele informa que, em Araucária (onde há refinaria) as distribuidoras pagam R$ 2,0611 por um litro de gasolina e R$ 1,15 no álcool. Somado a este valor ainda há o custo para bombeamento, frete e lucro.
Campanha - No próximo mês será lançado em Londrina um programa de esclarecimento ao consumidor. A iniciativa, segundo Fregonese, seria de donos de postos ''honestos'' que trabalham na cidade. Na ocasião, será entregue aos consumidores um material que vai explicar quais são as fraudes mais comuns, o alinhamento de preços, cartel e os seus direitos. ''Se o consumidor tiver paciência e buscar os seus direitos não será lesado. A intenção é separar o joio do trigo'', observa. (F.M.)

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