Quando um supermercado oferece um cartão para pagar as compras com 40 dias sem juros e sem custos de manutenção, é preciso ficar alerta, pois existe a possibilidade de que a propaganda seja enganosa. O alerta vem da Associação de Defesa do Consumidor - Pro Teste - que realizou uma pesquisa com 21 cartões de crédito de marca própria, de 21 mercados em todo o País, no primeiro semestre deste ano, e constatou que na maioria dos casos, a propaganda de cartão com custo zero não se confirma.
A coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci, contou que o maior problema constatado foi que o estabelecimento oferecia um cartão como se não houvesse nenhum custo, mas as despesas de ''manutenção'' eram cobradas na fatura. ''Virou uma febre esses cartões gratuitos, e os consumidores estão sendo iludidos'', frisou Maria Inês.
De acordo com a Pro Teste, dos 21 cartões testados, apenas duas redes de supermercados não cobravam absolutamente nada pelo uso do cartão. Todos os demais cobravam tarifa de manutenção, embutida na fatura cada vez que o consumidor fazia uma compra, com valores que variavam de R$ 1,99 a R$ 3,50.
Conforme o órgão, se o consumidor fizer compras todos os meses, durante um ano, utilizando o cartão como forma de pagamento na rede que cobra a taxa de R$ 3,50, terá desembolsado R$ 42,00. Tal valor equivale a uma anuidade de cartão de crédito, de acordo com a Pro Teste.
Maria Inês destacou que, essas taxas referem-se apenas à emissão do boleto. Se a fatura não for paga até a data do vencimento, há, evidentemente, taxas de juros. Estas recebem muitas nomenclaturas, como encargos contratuais, parcelamento ou até refinanciamento, mas, no final das contas, representam os juros do rotativo de um cartão de crédito convencional. Um detalhe importante, segundo ela, foi encontrado no contrato destes cartões. ''Alguns contratos dizem que a instituição pode começar a cobrar a anuidade do cartão a qualquer momento, o que implica irregularidade, já que a propaganda é de um cartão sem taxa de manutenção anual'', ressaltou Maria Inês.
Quanto às taxas de juros cobradas em caso de atraso no pagamento da fatura, o menor valor encontrado foi de 7% ao mês, e a mais elevada em 14,97% ao mês, acrescida de outros R$ 4 à despesa de cobrança. ''São taxas semelhantes às de um cartão de crédito bancário. Um absurdo'', ressaltou a coordenadora da Pro Teste.
Como orientação para o consumidor não cair em armadilhas, Maria Inês recomenda a análise minuciosa do contrato. ''Antes de aceitar essa oferta do supermercado, pegue o contrato leve para casa e faça uma boa avaliação. O consumidor tem que entender que toda propaganda tem que ser bem clara'', destacou.

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