Numa cidade onde 9,5% da População Economicamente Ativa (PEA) - cerca de 20 mil pessoas - estão desempregados parece absurdo alguém esnobar trabalho. Mas é o que acontece em Londrina. Candidato e empregador estão muito exigentes em relação às ofertas. De acordo com Graziele Bueno de Farias Ribeiro, psicóloga assistente da Capital Humano, empresa de recrutamento de pessoal, o excesso de mão-de-obra estimula o empresário a 'sonhar' com um funcionário ideal, ou seja, qualificado, experiente, boa aparência com salário baixo. Por outro lado, o desempregado que nem sempre preenche todos os requisitos espera melhores condições de trabalho e oportunidade de crescimento. ''Essa incompatibilidade obriga o profissional de recursos humanos a trazer ambos para a realidade'', explicou.
A vaga de vendedor é, com certeza, uma das mais rejeitadas. É comum encontrar em jornais ou painéis de empregos anúncios que exigem muito e oferecem pouco como, por exemplo, veículo próprio sem ajuda de custo. Miriam Ferreira de Souza, 30 anos, é uma promotora de vendas desempregada há dois anos. Mãe de uma criança de 10 anos, ela sobreviveu nesse período com trabalhos free-lancers até fora do Estado. ''Tenho experiência também como recepcionista, secretária e telefonista, mas a idade e a concorrência estão atrapalhando'', argumentou. Para ela, um emprego aceitável precisa remunerar, no mínimo, R$ 400,00 com vale-transporte e alimentação.
Com o advento das facções (empresas que apenas costuram modelos para grifes), o gerente gerente da Agência do Trabalhador em Londrina, Mauro Viecili, afirma que sobra emprego para costureiras nas fábricas. ''Elas preferem trabalhar em casa para essas empresas porque assim escapam da supervisão de qualidade. Nesse caso, os contratantes é que lucram, pois evitam os gastos com encargos trabalhistas e, às vezes, pagam até menos'', concluiu Viecili que, diariamente, disponibiliza entre 20 e 25 vagas para costureira na cidade.
Na opinião de Erica Fernandes, psicóloga da agência de empregos ADM, a maior dificuldade para o desempregado em Londrian é a falta de qualificação. Para incrementar o currículo dos desempregados desqualificados, o Sistema Nacional de Emprego (Sine) e a Secretaria de Ação Social de Londrina organizam cursos profissionalizantes com verba do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Nos próximos meses, eles abrirão inscrições para aulas de atendentes odontológicos, camareiras, operadores de telemarketing, auxiliares administrativos e porteiros. Enquanto alguns esperam e aproveitam essas oportunidade, outros preferem se tornar 'desempregados profissionais', valendo-se da ajuda de entidades assistenciais e programas sociais do governo.

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