Brasília - As exigências da União Européia (UE) para importação de carne bovina do Brasil devem ser cumpridas e possíveis restrições do bloco ao produto devem ser tratadas de forma técnica. O recado é do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que comentou ontem as notícias de que Bruxelas prepara medidas que podem entrar em vigor em 2008 para barrar parte das vendas brasileiras por problemas fitossanitários. ‘‘Não há porque discutir o aspecto político; devemos manter isso numa discussão técnica’’, comentou o ministro, evitando entrar no jogo dos produtores irlandeses, que, numa estratégia com forte pressão política, defendem o embargo aos cortes brasileiros como forma de evitar que o rebanho local seja contaminado pela febre aftosa. Os irlandeses alegam que os cortes podem ‘‘carregar’’ o vírus da doença.
  Até o momento o governo brasileiro não foi notificado sobre restrições ao produto nacional, afirmou hoje o diretor do Departamento de Assuntos Sanitários e Fitossanitários da Secretaria de Relações Internacionais, Luiz Carlos de Oliveira, do Ministério da Agricultura. Stephanes disse que qualquer restrição aos produtos agrícolas brasileiros preocupa, mas que é importante que o governo tenha capacidade para administrar as crises. Ele lembrou que a missão da UE que esteve no Brasil no mês passado mostrou insatisfação com relação ao sistema de rastreabilidade do gado e às Guias de Trânsito Animal (GTAs). De acordo com ele, os europeus estavam insatisfeitos, e ‘‘com razão’’, com esses dois itens. Questionado se essas fragilidades poderiam confirmar o boato de um possível embargo ao produto nacional, o ministro deu a seguinte resposta: ‘‘não acredito em embargo. Isso é boato. Mas poderão ocorrer algumas restrições sim.’’ Uma das restrições, segundo o ministro, já está em vigor.
  Ela é referente à autorização para se exportar gado oriundo de área autorizada. Animais de área não autorizada só poderão ser exportados após o período noventena e após confirmação de que os dados da GTA conferem com as informações armazenadas na propriedade.

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