Na avaliação do ex-ministro da Agricultura e produtor rural José Eduardo de Andrade Vieira o agronegócio se descapitalizou muito em razão da estiagem deste ano e os altos custos dos insumos. ''Para o produtor ter uma produtividade maior, ele tem que investir na terra, colocando insumos. Se o Incra aumenta o índice de produtividade, o produtor não vai ter como investir porque está descapitalizado'', pondera.
Isto significa, na opinião do ex-ministro que, se os índices de produtividade forem adotados, o governo terá que viabilizar recursos aos produtores. ''Uma tonelada de calcário (calcídico), por exemplo, custa em média R$ 32. Muitas regiões no Brasil são áridas e necessitam deste tipo de insumo. Em algumas, há necessidade de usar três vezes mais a quantia, como na minha propriedade, para deixar o solo em condições de plantio. Imagina quanto vai se gastar'', questiona Andrade Vieira.
Teoricamente, continua ele, metade dos agricultores não terá onde arrumar recursos se não houver incentivo do governo. ''Essa exigência do Incra vai refletir negativamente na produção, na exportação e na arrecadação de impostos futuramente'', disse, comentando que a sua preocupação aumentou em razão do governo ter feito, recentemente, acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) para aprovar os novos índices de produtividade''. (V.B.)

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