Exigência dos EUA é maior com a carne bovina
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quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Agência Estado 
Os Estados Unidos são os maiores importadores de carne do Brasil, mas apenas de produtos processados. Depois do reconhecimento da OIE, o governo brasileiro solicitou tratamento igual ao dos países do Mercosul, livres da aftosa, e para conceder uma cota de até 20 mil toneladas de carne fresca por ano, os Estados Unidos mandaram um questionário ao Brasil. Entre outras coisas, eles querem saber qual a estrutura dos serviços veterinários nos dois Estados livres da aftosa, o trânsito de animais, laboratórios existentes e o tipo de vacina que será usada caso ocorra algum foco. Com isso eles fazem a análise de risco, que têm direito de exigir com base nos acordos da Organização Mundial do Comércio.
As vendas de trigo dos Estados Unidos para o Brasil fazem parte da história do desenvolvimento nacional. Nos anos 60, quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi criado, o Brasil se beneficiou muito das importações de trigo dos Estados Unidos em função da Lei Pública 460, aprovada pelo congresso norte-americano, que permitia ao governo daquele país exportar o excedente e emprestar os recursos da venda ao país comprador. Os primeiros fundos do BNDES tiveram recursos da venda do trigo americano, conta o chefe da divisão de cooperação técnica e acordos internacionais do Ministério da Agricultura, Francisco Arinos da Costa e Silva.
Ele lembra que o dinheiro ficava aqui como empréstimo para pagar em cerca de 40 anos, com juros praticamente inexistentes. Quanto mais o Brasil importava, mais recursos iam para o BNDES e grande parte das metas de Juscelino Kubitschek foram financiadas com este dinheiro, assegura. Hoje a situação é diferente e com a guerra por mercados os importadores compram o produto mais barato ou com mais facilidades de financiamento. Quase todo o trigo importado atualmente pelo Brasil vem da Argentina.


