Exigência divide os consumidores
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Marcos BorgesRoberto Buchaim: Direito do consumidorCláudia Lopes 
O diretor regional da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em Londrina, Ademar Vedoato, não acredita que os preços dos produtos nos supermercados tenham aumento de 5% por conta da exigência do Ministério da Justiça de que todos os itens sejam etiquetados. Acho que isto terá um custo, que deve ser repassado ao consumidor. Mas não acredito que chegue a 5%, afirma Vedoato. O possível aumento nos preços por causa da portaria foi anunciado anteontem pelo presidente da Abras, Paulo Feijó. Até o dia 11 de setembro, todos os produtos devem contar com etiquetas individuais. Os supermercados que descumprirem a determinação serão multados.
Marcos BorgesHeloísa Amaral: Código de barras funcionaA medida é um retrocesso. Esta exigência é uma volta ao passado, diz Vedoato, que não concorda com a portaria. Mas se for lei, vamos cumprir, afirma. Dos produtos consumidos em supermercados no Brasil, entre 65% e 70% do volume em tonelagem são comprados em lojas informatizadas, segundo ele. A automação existe em todos os setores da economia. Além do código de barras e dos preços identificados nas prateleiras, o consumidor ainda pode tirar suas dúvidas no tira-teima, argumenta.
Marcos BorgesJosefa Carvalho: Como está é melhorVedoato afirma não ter feito ainda um levantamento dos custos que os supermercados terão com a etiquetagem. Vamos gastar com as etiquetadoras, que são equipamentos que precisam de manutenção constante, e com a mão-de-obra. Além disso, o trabalho de colocação de produtos fica moroso.
Aparecida Luz: Tempo para conferir
Marcos BorgesSupermercadistas
prevêem repasse
menor que 5% e
criticam retrocesso
Os consumidores londrinenses estão divididos quanto à necessidade da medida tomada pelo governo federal. A dona-de-casa Josefa Dias de Carvalho, de 79 anos, que costuma ir ao supermercados diariamente, diz que não acha necessária a etiquetagem de todos os produtos individualmente. Do jeito que está, é melhor, afirma ela, que diz não ter problemas para enxergar os preços nas prateleiras. Os números com os preços estão bem legíveis. Não preciso nem de óculos. A professora Heloísa Amaral, de 51 anos, considera a portaria um retrocesso. Com o código de barras não há erros, acredita. Já o engenheiro Roberto Buchaim, 52 anos, afirma que a etiquetagem de todos os produtos é necessária. Do jeito que está hoje, não dá para conferir os preços, reclama. E os supermercados não podem repassar os custos da etiquetagem porque é um direito do consumidor, e não um novo serviço. A diarista Aparecida dos Santos Luz, 45 anos, também quer etiquetas individuais para poder conferir os preços dos produtos em casa, com mais tempo.
Ontem o ministro da Justiça Renan Calheiros convocou promotores e representantes de Procons e de entidades de defesa do consumidor para organizar uma operação nacional contra os supermercados que descumprirem a lei.


