O presidente Fernando Henrique Cardoso autorizou ontem a utilização de unidades das Forças Armadas para patrulhar a fronteira de Rondônia com a Bolívia, diante do risco que este país apresenta com relação a disseminação da febre aftosa e do avanço da doença nos países no Cone Sul. O objetivo da medida é impedir o contrabando para o Brasil de animais vivos que possam ser portadores do vírus que transmite a doença.
Dados do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) indicam a existência de 1.450 focos de aftosa no Cone Sul. Desse total, 802 estão localizados na Argentina, onde há um rebanho bovino de cerca de 52 milhões de cabeças de gado; 582 estão no Uruguai, que possui um rebanho de 24,5 milhões de cabeças; 59 na Bolívia, onde há cerca de 9 milhões de cabeças de gado; e sete no Brasil, cujo rebanho bovino é de 167 milhões de cabeças. Os focos brasileiros estão localizados no Rio Grande do Sul, cujo rebanho bovino é de 13 milhões de cabeças.
O coordenador de sanidade agropecuária do IICA, Josélio de Andrade Moura, disse que entre os países do Cone Sul a situação da Bolívia é a mais grave, devido à falta de informações oficiais sobre a doença.
‘‘Existem 59 focos conhecidos, dos vírus tipos O e A. Não se sabe qual a situação real’’, alertou. Com relação ao Paraguai, colocado até o início deste ano como principal fonte de contágio pelos demais parceiros do Mercosul, os dados oficiais não indicam presença de focos de aftosa.
Com um rebanho bovino de 8,5 milhões de cabeças, o Paraguai começou uma campanha de vacinação contra a doença no final do ano passado, que teve prosseguimento neste ano. Josélio de Andrade Moura salientou que as medidas de proteção entre os países do Cone Sul que fazem divisa com a Bolívia são extremamente necessárias devido à grande extensão de fronteira seca do País com os demais vizinhos.
Uruguai tem 779 focos O Uruguai informou ontem que o país registrou um total de 779 focos de aftosa. O ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca, divulgou que o número inclui todas as ocorrências comprovadas em seu território desde o começo do atual surto, mesmo os focos considerados extintos. O número representa crescimento de 123% em relação ao boletim anterior, de 10 de maio, que indicava o registro de 348 focos da doença. O ministério observa que mais de 77% dos casos foram registrados nos Estados do litoral oeste. Passados 28 dias desde o início da epidemia, a primeira etapa da vacinação contra a aftosa já atingiu 80% dos bovinos. O ministério espera alcançar 100% do rebanho até 28 de maio. De acordo com o governo uruguaio, ‘‘a vacinação estratégica realizada nas áreas definidas para o controle de focos e a contenção do processo epidêmico, assim como a cobertura realizada de forma centrípeta desde a fronteira com o Brasil e de norte a sul, evidencia uma clara tendência à queda na ocorrência de novos focos’’.

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