Exército tentará impedir contrabando
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Agência Estado De Brasília 
Tropas do Exército começarão, neste fim de semana, a vigiar quatro pontos considerados críticos na rota do contrabando de gado entre Brasil e Argentina: Porto Mauá, Porto Soberbo, São Borja e Garruchos, todos no Rio Grande do Sul. A solicitação para que o Exército se junte à Marinha e à Polícia Federal, que já estão na região, foi encaminhada ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes.
Autorizada a operação, o Ministério da Defesa fará um reconhecimento da área a ser vigiada para determinar o contingente de soldados que vai fiscalizar estes postos. Nossa preocupação é impedir a entrada de gado da Argentina, que possui muitos focos de aftosa, por intermédio do Rio Uruguai, ressaltou Pratini.
Segundo ele, apenas o Rio Grande do Sul será contemplado com esta operação, por ser uma das principais portas de entrada para o gado procedente da Argentina. Santa Catarina e o Paraná também haviam pedido apoio do Exército para controlar suas fronteiras com o país vizinho.
Além do patrulhamento da Marinha, Polícia Federal e, agora, do Exército, o Ministério da Agricultura e a Secretaria de Agricultura do Estado estão atuando na fiscalização na região, em postos fixos e móveis.
Pratini de Moraes disse o uso de tropas do Exército na fiscalização da fronteira tem como objetivo evitar o trânsito de animais entre os dois países e impedir que criadores comprem gado da Argentina, aproveitando a queda nos preços provocada pela aftosa. Existem 53 postos móveis de fiscalização controlados pela Secretaria estadual da Agricultura e três postos fixos do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul.
Além dessas medidas, desde a semana passada o aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, conta com um pedilúvio (tapete embebido em solução de iodo) pelo qual os passageiros procedentes da Argentina e de países da Europa onde há aftosa são obrigados a passar para desinfectar seus calçados. O Ministério da Agricultura também instalou pedilúvios nos demais principais aeroportos do País.
O ministro Pratini de Moraes também rechaçou mais uma vez ontem a possibilidade de que os produtores do Sul voltem a vacinar seus rebanhos por receio de contaminação pelo vírus procedente da Argentina. O Brasil não tem foco de aftosa e tomar esta atitude é reconhecer uma situação que não é verdadeira. Seria dar um tiro no pé, afirmou.
O ministro também contestou a informação de que os criadores de gado do município gaúcho de Ijuí teriam voltado a vacinar seus rebanhos. Essa informação não é verdadeira. E se eles fizerem isso, acabam com o programa, além de inviabilizar as exportações de carne suína, da qual a região é grande produtora, alertou.


