RIO - Quinhentos fuzis automáticos leves calibre 7.62 foram emprestados ontem pelo Exército à Polícia Militar do Rio, segundo contrato assinado por oficiais da força e autoridades estaduais no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste.
O secretário de Segurança Pública, Nilton Cerqueira, disse que, inicialmente, pretende que cada carro da Polícia Militar esteja equipado com pelo menos um fuzil. Algumas patrulhas já circulam com fuzis comprados no atual governo. O empréstimo, disse Cerqueira, substitui um pedido de autorização para novas compras.
‘‘Preferimos obter as armas emprestadas, porque a situação crítica não é permanente e porque o armamento preferencial para a polícia é portátil, e não armamento de guerra’’, afirmou Cerqueira. O governador Marcello Alencar, porém, afirmou que o empréstimo foi usado para ‘‘ajustar questões formais’’ e disse acreditar que o Exército ‘‘não queira mais essas armas, que seja uma verdadeira doação’’.
Segundo ele, as armas serão distribuídas de acordo com a necessidade de cada unidade, a critério do comandante da corporação.
O armamento emprestado estava, originalmente, com a 12ª Brigada de Infantaria Leve, sediada em Caçapava (SP).
De acordo com o Exército, a unidade recebeu recentemente armas mais modernas e adequadas ‘‘para emprego em missões aerotransportadas’’, podendo prescindir dos fuzis cedidos.
O empréstimo foi solicitado em novembro de 1995 e é consequência dos convênios firmados entre a União e o Estado do Rio de Janeiro que viabilizaram, no fim de 1994 e início de 1995, a chamada Operação Rio das Forças Armadas contra o crime organizado. Amanhã, Alencar se encontrará no Rio com o Ministro da Justiça, Nelson Jobim, para, juntos, definirem como será a cooperação do governo estadual com a Polícia Federal para combater o contrabando de armas e, consequentemente, o fenômeno das balas perdidas.

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