A corporação do Exército designada para ajudar no controle da aftosa na fronteira do Brasil com a Argentina começou ontem a trabalhar em conjunto com fiscais da Secretaria da Agricultura e da Polícia Militar para impedir o ingresso de carnes e derivados de bovinos no território nacional. A fiscalização no Paraná é feita nos 100 Km entre as cidades de Capanema e Barracão (90 Km a oeste de Francisco Beltrão).
O comando da operação está a cargo da 16ª Companhia de Cavalaria Mecanizada de Francisco Beltrão, que enviou 45 homens, sendo 25 para Capanema e o restante para Santo Antônio do Sudoeste (97 Km a oeste de Francisco Beltrão). Em Barracão, o patrulhamento está sendo feito pelo 14º Regimento de Cavalaria Mecanizada de São Miguel do Oeste (SC), em conjunto com a Companhia de Desenvolvimento de Agricultura de Santa Catarina (Cidasc).
O responsável pelas ações, tenente Daniel Bernardi Annes, explica que alguns oficiais permanecerão nas aduanas para controlar a entrada de veículos e pessoas provenientes da Argentina. Nesses locais os fiscais da Seab estão desinfectando os veículos com solução a base de iodo e as pessoas são obrigadas a limpar os sapatos em tapetes encharcados com o mesmo produto.
Além do patrulhamento nas aduanas, equipes volantes compostas por oficiais do exército, fiscais da Seab e um policial militar percorrem o interior dos municípios para fiscalizar os acessos clandestinos mapeados através de satélites. Estima-se que existam 39 travessias irregulares na fronteira.
Segurança O coordenador de trânsito de animais e eventos agropecuários da Seab, Edgar Kruger, diz que a presença do Exército contribui para o aumento da segurança dos fiscais que encontram dificuldades nos trabalhos pelo interior dos municípios, principalmente pelas condições precárias das estradas. ‘‘Estamos trabalhando na região desde 10 de março, inclusive já realizamos alguns flagrantes de tentativa de contrabando e a presença do Exército e da Polícia Militar nos deixa mais tranquilos para continuarmos a fiscalização’’, ressalta.
Kruger observa que o trabalho de fiscalização nas aduanas é responsabilidade do Ministério da Agricultura, porém pelos riscos de contaminação da febre aftosa na região estão auxiliando no patrulhamento da fronteira. Ele acrescenta que os trabalhos não têm data para terminar, mas mostra preocupação com o início da campanha de vacinação contra a febre aftosa marcada para o dia 1º de maio. ‘‘O efetivo precisa retornar para suas regiões, com isso vamos precisar de um rodízio aqui’’, explica.
Preocupados com a proliferação da febre aftosa na Argentina, os municípios paranaenses situados na região Sudoeste, próximos à fronteira, anteciparam o início da vacinação contra a febre aftosa para evitar riscos de contaminação do gado. Em Santo Antônio do Sudoeste a vacinação começou no dia 11 de abril e cerca de 40% do rebanho bovino já foi imunizado contra a doença.
O secretário municipal de Agricultura, Ivair Benatti, relata que na campanha realizada em novembro de 2000, todo o rebanho de 25 mil cabeças de gado recebeu a dose da vacina, porém a grande preocupação é com os animais recém-nascidos. Ele completa que a preocupação existe pelo fato da divisa do município com a Argentina ser feita, apenas, por um córrego. ‘‘Tomamos todas precauções necessárias para evitar qualquer risco de contaminação. A situação é ainda mais crítica próximo à Barracão onde a divisa é feita por vegetação’’, alerta.
O produtor Arlindo Zeno Weltir afirma que todos os anos imuniza seu rebanho contra a febre aftosa, mas preocupa-se com alguns criadores do país vizinho que não demonstram a mesma consciência em relação aos riscos da doença. Ele lembra que quando adquiriu a propriedade, há 16 anos, alguns produtores argentinos passavam o gado por suas terras. ‘‘Precisei cercar toda a área para impedir que continuássem fazendo contrabando por aqui’’, conclui.
Prefeito argentino O prefeito da cidade argentina de San Antonio, Jose Oscar Silva, que faz divisa com o Brasil através de Santo Antônio do Sudoeste, diz que o governo brasileiro tomou uma medida arbitrária ao convocar o Exército para reforçar a fiscalização na fronteira. Ele afirma que antes de tomar esta atitude, o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ter consultado o governo argentino para que tomassem uma atitude em conjunto.
Jose Oscar acrescenta que toda população argentina mostrou indignação quando soube que o Exército brasileiro estaria fazendo o patrulhamento em toda fronteira entre os dois países. Ele completa que San Antonio está situada na região da Mesopotâmia, onde não existem focos da febre aftosa.

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