Os presidentes de grandes empresas industriais do Brasil já entraram para o clube dos que ganham US$ 1 milhão por ano. Esta foi a grande novidade de 1996, o primeiro a marcar com linhas mais claras os desafios competitivos da estabilização econômica. Em 1993, antes do Plano Real, a remuneração equivalente para o posto estava em US$ 300 mil. Os postos de diretoria também estão conseguindo uma forte recuperação: fecharam valendo US$ 300 mil por ano, contra US$ 150 mil há três anos.
Segundo o presidente da Egon Zehnder International, João Aquino, reflexo do dinamismo do setor industrial imposto pelo Plano Real, os profissionais desta área já estão encostando sua remuneração ao do pessoal do ramo financeiro. ‘‘O mais surpreendente é que a remuneração dos cargos importantes dentro das empresas é equivalente ao do mercado internacional, talvez até maior’’, afirma Aquino. ‘‘Estamos atrás, apenas, das remunerações dos principais executivos das corporações gigantes.’’
O presidente de uma grande empresa brasileira ou subsidiária de multinacional importante ganha o equivalente a qualquer companhia de mesmo porte em qualquer lugar do mundo e perde apenas para o chefe global de uma supercorporação como a General Motors. ‘‘Num primeiro momento, a demanda por profissionais de alto nível se mostra maior que a oferta disponível e por isso está havendo esta valorização impressionante’’, afirma o presidente da Egon Zehnder, uma das maiores empresas especializadas na contratação de profissionais de alto nível do mundo.

Os postos de
diretoria
também estão
em ascensão


O negócio da Egon Zehnder cresceu 80% desde 1993 com a crescente necessidade das empresas de trocar postos de comando para enfrentar a nova situação econômica do Brasil. ‘‘O que percebemos, também, é que os cargos importantes estão sendo preenchidos cada vez mais por brasileiros’’, afirma Aquino. Um exemplo desta tendência é a escolha dos executivos que estão comandando as unidades brasileiras abertas pelos bancos de investimento internacionais. A Goldman Sachs é comandada por Eduardo Gentil, a Merrill Lynch por Bernardo Parnes, a Lehmann Brothers por Carlos Guimarães e o Bear Sterns por Nicholas Reade. São apenas exemplos de instituições comandadas por brasileiros.
Além deles, o Citibank (Roberto do Valle), Boston (Carlos Craide), ABN Amro (Fábio Barbosa) e ING (Fernando Gentil) colocaram brasileiros nos postos de comando. Por outro lado, há no setor industrial uma febre de novos investimentos que está inflacionando a remuneração dos executivos. ‘‘Há mais competição, empresas trocandos de comando e também novos investimentos que precisam de gente executiva para tocar os projetos’’, conta Aquino. ‘‘Tudo isso faz crescer a remuneração de quem está no mercado.’’

mockup