Executivos dizem que distribuidoras podem quebrar
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segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De São Paulo 
As distorções tarifárias da energia comercializada pelas empresas distribuidoras poderão levar este segmento da cadeia energética a entrar em um estágio de inadimplência já nos próximos meses. A afirmação partiu ontem de três dos mais influentes executivos do setor durante o seminário ''A crise de energia: a visão de médio e longo prazo'', realizado em São Paulo pelo Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
''As empresas se encontram no seu limite, à beira da inadimplência'', disse o diretor-presidente da Light, Michel Gaillard. ''Há o risco de os pagamentos de salário não serem efetuados dentro de um prazo de 30 dias'', afirmou o co-presidente da Enron América do Sul, Orlando Gonzáles.
Segundo os executivos, o impacto da variação do dólar no endividamento em moeda estrangeira das distribuidoras privatizadas, também sentido na compra de energia elétrica em dólar da usina de Itaipu, além do alto passivo tarifário das empresas, inclusive com débitos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), estariam levando as concessionárias para o caminho de quebradeira generalizada.
A proposta inicial de Gonzáles é de que uma espécie de desmembramento da tarifa seja feito o mais rapidamente possível, para que cada consumidor receba um reajuste diferente em sua tarifa.
Atento às queixas dos empresários, o presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, disse perceber a irritação dos empresários e que, por isso, o governo deverá encontrar uma solução para o problema no curtíssimo prazo.


