Executivo diz que economia é essencial para ensino superior
Diretor-presidente de ensino superior no maior grupo educacional do País afirma que políticas públicas formuladas já dão sustentação ao setor e que falta recuperação de renda para novo salto em matrículas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de junho de 2019
Diretor-presidente de ensino superior no maior grupo educacional do País afirma que políticas públicas formuladas já dão sustentação ao setor e que falta recuperação de renda para novo salto em matrículas
Fabio Galiotto - Grupo Folha 
Depois de anos de incentivos ao ensino superior e a formulação de bases para o ensino a distância (EAD), a recuperação da economia é mais importante para um novo salto nas matrículas de estudantes na graduação do que até mesmo as políticas educacionais e de fomento ao setor do governo federal. A opinião é do diretor presidente de ensino superior da Kroton Educacional, Roberto Valério, que esteve em Londrina na quarta-feira (5), em um evento de demonstração de todo o trabalho da empresa que e líder do setor no País.
A procura pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) sem juros no primeiro semestre deste ano foi a menor desde 2016, com adesão a apenas 38,8% das 100 mil vagas ofertadas pelo MEC (Ministério da Educação). A diferença é que há três anos foram 45,5% de um total de 325,2 mil vagas abertas. Os dados são do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e foram levantados pelo jornal “O Globo”.
Segundo números apresentados por Valério, as matrículas no ensino superior público e privado saltaram de 7 milhões de vagas em 2013 para 7,9 milhões em 2014. A variação foi mínima nos anos seguintes, com 8,1 milhões em 2015 e 2016 e leve alta para 8,2 milhões em 2017. Para o diretor da Kroton, o contexto da educação em geral e da privada depende mais de fatores econômicos e, depois, de consistência nas políticas educacionais. “Um aluno tomar uma decisão de se matricular em uma universidade e estudar por quatro ou cinco anos é um projeto de longo prazo, é quase como financiar um imóvel ou um veículo. Ele precisa sentir segurança econômica para tomar essa decisão”, diz.
Com o objetivo de não ficar dependente de políticas públicas como o Fies, ele conta que o grupo desenvolveu o próprio programa de parcelamento estudantil, no qual o aluno paga parte da mensalidade ao longo dos anos e inicia o financiamento do restante somente depois de formado. “Claro que, quando o governo tem políticas públicas que incentivam mais alunos a estudar, isso é positivo para a educação em geral e para o Brasil, mas a Kroton tem políticas próprias e entende que tem de lidar com as circunstâncias econômicas do País e, ao mesmo tempo, cumprir com a nossa missão de permitir que esses alunos estudem.”
Sem querer opinar sobre as recentes polêmicas que envolveram o governo e o ministério, Valério afirma que o governo está em transição e que aguarda para saber quais serão os próximos passos para a educação. “O MEC fez nos últimos anos uma série de políticas bastante positivas, não só de financiamento, mas de fomento a cursos técnicos e políticas que permitem a educação a distância, que levam mais oportunidades pelo Brasil. O caminho está correto, mas claro que vivemos um momento de transição”, diz. “O mais importante é que sejam políticas de Estado, e não de governo”, completa.
A vice-presidente de produto, expansão e gestão da Kroton, Júlia Gonçalves, lembra que 89% dos alunos do grupo são oriundos de escolas públicas, 80% têm renda mensal familiar abaixo de R$ 3.816, 75% trabalham, 58% têm idade acima de 24 anos e 90% são os primeiros universitários do círculo familiar. “A média de crescimento da renda desse alunos depois de formados é de 95%”, afirma.
PERSPECTIVAS
A Kroton é o maior grupo educacional do País, com braços que vão desde a educação básica ao ensino superior. Porém, 73% da receita líquida da marca vem da graduação. A Kroton tem 15% dos estudantes do ensino superior privado do País, com uma receita líquida que foi de R$ 1,4 bilhão para 5,5 bilhões em quatro anos.
Para isso, o grupo investiu R$ 560 milhões somente desde 2017. São 161 campi em 130 cidades, além de 1,5 mil polos em 1,1 mil municípios, em todos os estados. “Nossa meta é crescer em cerca de 200 polos por ano”, diz o diretor da Kroton.
Entre todas as empresas do setor no País, a receita bruta é de R$ 60 bilhões. São 6 milhões de estudantes no ensino superior privado, que colocam o Brasil na terceira colocação mundial, atrás de China e Índia, mas à frente dos Estados Unidos. No entanto, a taxa de penetração brasileira entre a população de 18 a 24 anos é de 18%, abaixo da média mundial. A meta estipulada no PNE (Plano Nacional de Educação) é de chegar a 33% até 2024.
“Temos uma demanda latente de 32 milhões de estudantes em potencial”, diz Valério. Ele se refere a pessoas com ensino médio completo, de 18 a 49 anos, que têm condições de aderir à graduação presencial, semipresencial ou EAD.


