Exclusão da Chrysler pára a negociação dos metalúrgicos
Carmem Murara
De Curitiba
Os metalúrgicos fizeram ontem a primeira reunião com os representantes das montadoras da Região Metropolitana de Curitiba para negociar reajuste salarial e mudanças no contrato coletivo de trabalho. Mas o que era para ser o primeiro passo para um entendimento se transformou em confronto no momento em que o Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) anunciou que negociaria apenas em nome das montadoras Renault, Volkswagen/Audi e Volvo, excluindo a Chrysler do processo.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba não concordou com a negociação em separado e, após muita discussão, foi marcada uma nova reunião com os representantes das montadoras. A segunda rodada será feita amanhã, na sede do Centro Integrado de Empregadores e Trabalhadores do Estado do Paraná (Cietep). Até lá, o Sinfavea terá de apresentar uma proposta de negociação única das montadoras com os metalúrgicos.
A revolta do Sindicato dos Metalúrgicos se deu quando o Sinfavea anunciou que havia um segundo sindicato dos trabalhadores, criado para atender apenas a Chrysler e as fornecedores do setor, instaladas no município de Campo Largo. Não aceitamos este outro sindicato e, se não negociarmos em conjunto, teremos que levar a questão para a esfera nacional. Vamos negociar com o Sinfavea nacional, ameaçou, ontem, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka.
A pauta nacional de reivindicações estabelece o piso salarial único para os metalúrgicos, o que representa um aumento salarial para quem trabalha nas montadoras da região de Curitiba e uma perda para os operários de São Paulo. Hoje, os paranaenses recebem a metade do que ganha um metalúrgico do ABC paulista. O piso no Paraná varia de R$ 300 a R$ 500, enquanto passa de R$ 1,1 mil, em São Paulo.
A proposta do Sindicato dos Metalúrgicos é que as montadoras reajustem em 8,44% os salários dos trabalhadores. O percentual foi calculado com base na inflação registrada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Os metalúgicos querem ainda um aumento real de salário de 10% e manutenção das cláusulas sociais. A data base dos metalúrgicos, que trabalham nas montadoras, é no dia 1º de setembro.
Por causa das taxas de desemprego e do desaquecimento do mercado automotivo, há uma proposta nacional para reduzir a jornada de trabalho. A intenção é diminuir de 44 para 40 horas até chegar em 36 horas, a partir do segundo ano de mudança.
Independente das negociações regionais com as montadoras, há um calendário nacional que estabelece greve em todos os Estados, onde há a indústria automotiva. A paralisação de um dia é feita sempre às quintas-feiras. No Paraná, a manifestação está marcada para ocorrer no próximo dia 14 de outubro.Trabalhadores exigem discussão única, incluindo todas as indústrias instaladas no Paraná
Arquivo FolhaULTIMATOSérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, ameaça levar a pauta de reivindicações para a Sinfavea nacional e interromper negociação com entidade paranaense





