Excesso de trabalho e falta de tempo são impedimentos
Segundo o gerente de atendimento do Sebrae Enio Pinto, dados recentes do Itamaraty confirmam que há hoje 313 mil brasileiros no Japão. Estes permanecem, em média, cinco anos no Japão, período em que muitos conseguem acumular mais de R$ 100 mil. ''Cerca de 50% dos dekasseguis declararam ter intenções de empreender ao retornar para cá'', informou Pinto, lamentando, porém, que o excesso de trabalho e a falta de tempo desses trabalhadores tem dificultado a propagação do programa por lá.
''Um dos nossos maiores desafios hoje é como sensibilizar esse brasileiro a se capacitar'', confirmou o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, adiantando que, por isso, o Sebrae está estudando novas estratégias para atingir esse público.
Um dos fatores que dificultam a adoção do programa por parte dos descendentes de japoneses, segundo a diretora do Departamento de Apoio ao Dekassegui da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, Estela Okabayashi Fuzii, talvez seja a própria questão cultural. ''Os nikkeis (descendentes de japoneses) são mais reservados, não se abrem muito. Eles também têm receio de dizer o quanto economizaram, ou o que estão planejando, mesmo porque vivemos em uma época bastante perigosa'', alega, acrescentando que essa dificuldade em se expor atinge até mesmo ex-dekasseguis que têm tido êxito.
Estela atende vários nipo-brasileiros que já foram ou pretendem ir ao Japão a trabalho, e confirma que o índice de mortalidade das empresas é realmente grande. ''Sei de muitos casos em que os investidores perderam tudo em um ou dois anos, justamente pela falta de conhecimento e preparo. Nós até já realizamos vários eventos sobre empreendedorismo em parceria com o Sebrae, mas eles ainda se mostram um pouco intimidados'', lamenta. (A.I.)





